Adolescente, Maren é abandonada pelo pai repentinamente, depois de incidentes estranhos envolvendo a filha e uma colega. Caindo na estrada, a mocinha encontra um homem excêntrico, Sully, que a alerta para sua condição de canibal. Ela foge dele, mas acaba descobrindo que não é a única no mundo a sofrer do mal quando conhece Lee, por quem se apaixona.
- Por Neusa Barbosa
- 21/11/2022
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Vencedor dos prêmios de melhor direção e melhor atriz revelação (Taylor Russell) no Festival de Veneza, o novo filme do italiano Luca Guadagnino acompanha personagens canibais, adaptando romance de Camille De Angelis. Dito assim, parece mais bizarro do que é - embora, evidentemente, não deixe de conter cenas chocantes. O diretor de Me Chame pelo Seu Nome escalou de novo seu ator, Timothée Chalamet, para viver um dos canibais, o jovem Lee. A protagonista é Maren (Taylor Russell), jovem abandonada pelo pai aos 18 anos, devido a um histórico de incidentes sangrentos, envolvendo a menina e também sua mãe, que há anos está desaparecida.
Entregues à própria sorte, Maren e Lee acabam se encontrando, literalmente, farejando um ao outro - quem come carne humana teria esse dom, como Maren aprendeu ao longo da estrada, depois do encontro com um homem um tanto excêntrico, Sully (Mark Rylance).
Estabelecido este cenário, nos EUA dos anos 1980, de Ronald Reagan, a história tece conexões com famílias desestruturadas, jovens à procura de rumo e também com uma relativa busca de justiça social. Afinal, quando busca uma nova vítima, Lee sempre tenta identificar pessoas de algum modo más ou injustas. Mas seu compasso, certamente, não é infalível, sublinhando a tragédia de sua condição.
Trilhando assim forte na esfera do horror, com cenas bem gráficas, Até os Ossos acena com um comentário sobre a disfuncionalidade, que assume várias faces ao longo das épocas - e a nossa não está fora desse esquadro. Além disso, Guadagnino retrata seu casal de jovens protagonistas com inescondível empatia humana, ainda que não seja um apoio aos seus ataques. Mas, como os vampiros, eles não podem escapar à natureza que herdaram de seus pais. Entre estes dois deserdados solitários, forma-se um vínculo, um romance. Torto, pode ser, mas não por conta do amor, deste amor marcado pelo doentio mas que floresce até mesmo neste contexto.
