18/07/2026
Comédia

Na rédea curta

Mainha e seu filho Junior vivem brigando e fazendo as pazes o tempo todo. Porém, quando ele descobre que sua namorada está grávida, decide que quer encontrar seu pai, que nunca conheceu. Para isso, sua mãe terá que revisitar o seu passado.

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Na rédea curta não parece, num primeiro momento ao menos, um projeto que interessaria aos diretores Ary Rosa e Glenda Nicácio (Café com Canela), pois traz um humor aparentemente bem diferente daquele dos filmes da dupla. Porém, também é possível notar como o projeto deve ter sido irresistível para eles, uma comédia rasgada que fala, com muito humor, de classe, raça e gênero – questões importantes nos filmes da dupla dos diretores do cinema baiano.
 
O filme parte da famosa websérie homônima, que estreou em 2019, e conta as aventuras e desventuras de uma mãe solo criando seu filho, um jovem adulto, na periferia de Salvador. Mainha (Sulivã Bispo) cuidou sozinha de Júnior (Thiago Almasy) a vida inteira, mas agora surge um problema: a namorada dele, Keylane (Barbara Bela) está grávida, e o rapaz, que nunca conheceu seu pai, tem dúvidas sobre como deve agir um pai.
 
O roteiro, assinado pela dupla da direção e Bispo, Almasy, Camila Gregório e Tidi Eglantine, é sagaz o bastante para combinar questões sociais com humor escrachado, mas sem nunca cair no mau gosto. Rosa e Nicácio contam, acima de tudo, com uma dupla de atores afiados e com completo domínio de seus personagens.
 
Mainha tem uma vaga lembrança de quem a engravidou – mas sabe que ele tem 6 dedos na mão, e isso poderá ajudar a encontrar o pai de Junior. Juntos, vão ao interior do Recôncavo da Bahia, na cidade de Cachoeira, onde esse homem mora. A viagem, é claro, é um pretexto para mais momentos de humor, especialmente da relação conflituosa, mas amorosa, entre mãe e filho.
 
Em seus filmes, Rosa e Nicácio sempre se pautaram por um retrato bem-humorado e humanista de uma Bahia diversificada, que passa longe dos clichês televisivos. Aqui não é diferente. Bispo como Mainha é incrível em seu timing para o humor e na construção da personagem. Um ator vestido de mulher interpretando uma mãe desbocada e levemente dominadora, é claro, lembra Paulo Gustavo em Minha mãe é uma peça, uma referência que o filme não nega – pelo contrário, o longa termina com uma frase do ator, homenageando a ele e sua obra.
 
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