Autora de peças como Pluft, O fantasminha, Maria Clara Machado é a figura mais importante do teatro infanto-juvenil do Brasil. Esse documentário resgata sua obra e a história de sua escola, o Tablado, por meio de depoimentos dela de arquivo, entrevista com atores e atrizes formadas por ela, e imagens de montagens de suas peças.
- Por Alysson Oliveira
- 05/12/2022
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Uma das escolas de teatro mais famosas do Brasil, o Tablado, fundada em 1951, é tema desse documentário, que combina a sua história com a de sua criadora, a atriz, escritora e dramaturga Maria Clara Machado. O longa dirigido por Creuza Gravina conta a história por meio de depoimentos de ex-alunos e ex-alunas – boa parte entrou para o elenco da TV Globo.
Criadora de peças infantis como A bruxinha que era boa e Pluft, O fantasminha, Maria Clara, morta em 2001, é um dos principais nomes do teatro no país, e isso o documentário deixa bem claro. Os depoimentos ressaltam a importância dela e de suas peças em relatos, claramente, apaixonados.
Figuras como Marieta Severo, Lupe Gigliotti, Andrea Beltrão, Malu Mader, Claudia Abreu, Ernesto Piccolo e Cacá Mourthé, estão entre os entrevistados. Há histórias divertidas, mas o filme não parece avançar muito para além de depoimentos laudatórios – com exceção de Gilberto Braga, que explica que Maria Clara Machado não ligava muito para a profissionalização dos alunos, pois via a arte como amadora, no sentido de fazer por amor.
Tecnicamente, O Tablado e Maria Clara Machado apresenta problemas com a definição das imagens e da iluminação. Não se trata das gravações de arquivo antigas, mas das entrevistas atuais que não apresentam muito zelo pela fotografia. A primeira exibição do filme foi no Festival do Rio de 2007, e, desde então, diversos entrevistados já morreram, como o próprio Gilberto Braga, o ator Luiz Carlos Tourinho, e a crítica de teatro Barbara Heliodora.
É inegável o talento de Maria Clara e como sua obra não perde a relevância – seu Pluft ganhou uma adaptação cinematográfica de sucesso em 2022 –, mas o documentário, apesar de suas boas intenções, é um tanto sem rumo, e repetitivo em depoimentos que se reiteram o tempo todo. Por outro lado, trazem força ao filme, em especial, as leituras de trechos de peças da dramaturga, cuja obra infanto-juvenil é amada até hoje.
