A animação infantil mineira Chef Jack – O Cozinheiro Aventureiro não fica nada a dever aos importados do gênero – seja nos quesitos técnicos ou na trama. Dirigido por Guilherme Fiuza Zenha, a partir da ideia original do roteirista Artur Costa, o filme acompanha o personagem-título em uma competição, na qual aprenderá mais sobre si mesmo do que mostrará seus dotes culinários.
Voltada claramente para o público infantil – sem, no entanto, entediar os acompanhantes adultos – o filme é ligeiro, colorido e divertido. A história já começa com Jack (dublado por Danton Mello) uma celebridade do mundo gastronômico, um chef internacionalmente conhecido por seus pratos e também suas aventuras. Mas ele entra em crise quando uma de suas criações mais famosas é odiada por um pequeno sultão, que está começando a comer alimentos sólidos.
A saída que Jack encontra é participar – e sair vitorioso – da competição Convergência de Sabores, mesmo a contragosto de sua empresária (Cecília Fernandes). Ele está sem um assistente, e o posto acaba assumido pelo adolescente Leonard (Rodrigo Waschburger), um aspirante a cozinheiro e filho da empresária. O rapaz traz um bocado de brasilidade ao filme, especialmente quando em sua primeira cena, ainda em casa, tenta cozinhar um baião de dois perfeito. Ele tem muito que aprender.
A criatividade é a base para a comicidade de Chef Jack – O Cozinheiro Aventureiro, como povos com nomes exóticos – como os Bistecas, uma versão dos Astecas – e até uma tribo de capivaras que esnobam boa comida humana. Ou as provas de aventura e culinária que os competidores têm de enfrentar. Outro fator importante é a celebração da diversidade, como a afro-brasileira Alice (Tásia D’Paula), amiga, rival na competição e interesse romântico do protagonista.
Com menos de 80 minutos, a animação é ágil, sem enrolação, enfileirando uma aventura atrás da outra. É também lúdica mas, ao mesmo tempo, agitada, e celebra, ao fim, a amizade e a descoberta das coisas que realmente importam, num mundo marcado pela fama passageira.
