Claé, raposa do reino do Sol, e Bruô, urso do reino da Lua, mergulham na Floresta Encantada como agentes secretos, procurando salvá-la da destruição provocada pelos Gigantes humanos. Rivais por princípio, eles descobrem que devem unir suas forças e buscar os Perlimps, seres mágicos que permitem reunir energia, para cumprirem sua missão.
- Por Nenhuma
- 06/02/2023
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Indicado ao Oscar de animação em 2016 por O Menino e o Mundo, o diretor e roteirista Alê Abreu continua, em Perlimps, sua reflexão ético-política sobre a inadequação do mundo em que vivemos. Mais uma vez, os protagonistas de sua história são crianças, ainda que não-humanos. Trata-se de uma raposinha, Claé (voz de Lorenzo Tarantelli), e o ursinho Bruô (voz de Giulia Benite), dois agentes secretos investidos da missão de salvar a Floresta Encantada da destruição empreendida pelos Gigantes humanos.
Se os dois são rivais, Claé, representando o reino do Sol, Bruô, o reino da Lua, esta hostilidade serve apenas de tempero para a concorrência mantida sobre quem terá melhores condições de cumprir sua missão. Nessa jornada, desvela-se a beleza da floresta ameaçada, suas árvores, seus pássaros, seus rios retratados com um belíssimo colorido.
Um personagem mais velho, o pássaro João de Barro (voz de Stênio Garcia), dará instruções aos dois protagonistas para focar melhor sua missão: eles devem encontrar os Perlimps, seres mágicos protetores da floresta e cuja energia pode salvá-la. Aí entra em cena o aspecto mais mágico de toda a história, que já começara pela natureza destes animaizinhos falantes.
A etapa final injeta no enredo um realismo surpreendente e um toque mais cético, talvez, do que em outras histórias de Abreu. Este elemento projeta no filme, que teve sua première mundial no Festival de Annecy 2022, a ligação do diretor com preocupações sócio-políticas, como com o autoritarismo militar (traduzido na intenção dos militares de derrubarem a floresta para uma usina hidrelétrica com aplicação para a indústria bélica), evidenciando o tema do perigo da catástrofe ecológica.
A trilha do grupo mineiro O Grivo é outro elemento da sofisticação do filme, que foi produzido por Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi.
