Aceitas as regras da diversão, pegue sua senha e embarque. Esqueça o politicamente correto - etnias e povos serão implacavelmente ironizados aqui. O machão irlandês Seamus O'Grady (Justin Theroux) é um dos melhores exemplos.
A montagem ultra-rápida é um sintoma do que se procura aqui - extrema leveza. As piadas são intensivas - mal chega uma, se parte para a próxima. Não admira que, no final, a gente nem se lembre direito como é que tudo começou - aliás, foi na busca de dois anéis que, juntos, decodificam a lista das pessoas com identidades trocadas que vivem sob a proteção do FBI. É um humor de matinê, epidérmico, cheio de efeitos visuais atraentes e passageiro, que não fará história, nem mesmo nos recordes de bilheteria.
Demi Moore, quem diria, faz uma espantosa ressurreição como a ex-pantera que enverga um biquini com a mesma desenvoltura das coleguinhas mais jovens, deixando evidente a sua reconstrução física, toda esguia e muito longe do aspecto bombado que ela exibiu em Striptease, de triste memória. Por essa nova imagem da ex-senhora Bruce Willis, aliás, entende-se porque o garotão Ashton Kutcher caiu por ela.
Em ótima forma física, também, comparece o galã brasileiro Rodrigo Santoro, em sua estréia internacional. Na pele do bandidão Randy Emmers, ele comparece em três cenas. Na primeira, atende a um telefone de torso nu. Na segunda, demonstra numa praia os seus conhecidos dotes como surfista e contracena com a bela Cameron Díaz. Na terceira e última, ele arrasa a bordo de uma moto, num rallye bastante feroz. Infelizmente, Santoro não tem diálogos nem oportunidade de demonstrar o seu talento dramático - sobre o qual o público que viu Bicho de Sete Cabeças e Abril Despedaçado não tem, aliás, nenhuma dúvida.
