09/06/2026
Drama

Robe of Gems

Durante um difícil processo de divórcio, Isabel resolve voltar à antiga propriedade de sua família. A região vem sendo cada vez mais dominada pelo crime organizado e a filha de uma de suas empregadas desaparece. Roberta, a investigadora da polícia, também tem seu filho envolvido com o narcotráfico.

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Obra rigorosa de uma diretora estreante, a mexicana Natalia López Gallardo, Robe of Gems (Manto de Gemas) foi o único candidato latino-americano ao Urso de Ouro 2022, vencendo um merecido Urso de Prata por um Prêmio do Júri.
 
Quando se sabe que um dos coprodutores do filme é o mexicano Carlos Reygadas, conhecido por filmes de rigor estético singular, como Japón e Luz Silenciosa (vencedor do Prêmio do Júri de Cannes 2007), pode-se imaginar que o trabalho inaugural de Natalia não é um filme de narrativa ou composição simples, desafiando inclusive sua descrição numa sinopse.
 
Obra de grande empenho estético, o filme instaura um clima inquietante ao revelar as conturbadas relações de uma família e seus empregados. Toda a história e contradições do México, passando pela sujeição dos povos indígenas, a luta de classes e a contaminação de todas as esferas da sociedade e instituições pelo crime organizado perpassam a narrativa, que retrata a volta de uma família à sua fazenda.
 
Isabel (Nailea Norvind) é a herdeira deste lugar, que vive uma crise em seu casamento e reconecta com antigos empregados, como uma família que tem uma filha desaparecida. Estes desaparecimentos, além dos sequestros, são endêmicos na região, em cujo lixão aparecem, de tempos em tempos, os corpos de algumas das vítimas. Outros, nem isso, lotando a delegacia, mostrada como uma repartição febril, onde se desenrola uma das cenas mais interessantes de todo o enredo.
 
A câmera deste filme, um trabalho de Adrian Durazo, é tudo menos previsível, entrando onde menos se espera e colhendo ângulos inesperados de muitas sequências. Uma estranha frieza, distanciamento emocional, no meio de tantas crises, aproxima também o estilo desta diretora de uma Lucrecia Martel - e a cena inicial, numa piscina, guarda algum parentesco com O Pântano. Como no filme da cineasta argentina, esta é uma água que não limpa, não purifica, não alivia as tensões.
 
A condução da narrativa vai no sentido de nunca criar certezas, nunca procurar conforto, desdobrando as relações esquivas entre personagens como a policial que tem um filho  ligado ao narcotráfico. Por tudo isso, é uma obra inquietante e misteriosa, que certamente procura incomodar os corações e as consciências e pode estar revelando uma nova geração de cineastas mexicanos.

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