La situación no és buena, em bom portunhol, sobre o filme dirigido por Tomás Portella e protagonizado pela sempre excelente Natalia Lage, que merecia material melhor para o seu talento. Ela interpreta Ana, uma mulher cuja vida está estancada, num emprego que odeia, sem um relacionamento há anos, e com uma prima chata enfiada dentro de seu apartamento. Tudo muda quando recebe o aviso de que sua avó morreu na Argentina e deixou-lhe uma grande propriedade de herança.
A mera desculpa para a viagem, transformando o filme numa espécie de road movie, não tem lá muito subsídio, mas, tudo bem. Ao lado da amiga Letícia (Júlia Rabello) e da prima goodvibes hipponga que estacionou em seu apartamento, Yovanka (Thati Lopes). Cada uma representa um tipo feminino: a mulher que abandonou tudo por uma carreira e vê que não valeu a pena; a esposa e mãe dedicada explorada pelo marido e filhos; a mulher alienada num mundo bem-humorado onde nada é um problema – até que se torna um problema.
O roteiro de Carolina Castro e Natália Klein não liberta o trio de personagens dessas figuras caricatas. É como se elas fossem apenas uma coisa e, na viagem, descobririam que podem ser muito mais – mas não é bem assim que o filme funciona. Estereótipos ambulantes, as três mulheres caem no óbvio e todas se transformam num discurso contra alguma coisa.
A viagem se torna um caso de polícia quando Yovanka rouba a passagem aérea de um trio de jovens, e ela, Ana e Letícia viajam de primeira classe. Mal sabem elas que as outras mulheres estavam envolvidas num esquema de tráfico, e elas serão obrigadas a assumir esse posto, além de se tornarem, então, alvo de uma operação policial. Além disso, ao chegar ao terreno herdado por Ana, descobrem que o local se tornou um assentamento de sem-terra.
Tudo em La situación acontece muito rápido, sem tempo para as personagens ou o público digerir o que está havendo. É uma linguagem de videoclipe – ou Tik Tok, para um meio mais contemporâneo – que se torna um amontoado de situações inusitadas que, supostamente, gerariam algum humor, mas, no fundo, não passa, disso, inusitadas.
