03/06/2026
Drama Comédia

Do jeito que elas querem - O próximo capítulo

Depois de ficarem um longo tempo sem se ver pessoalmente, mas conversando pelo zoom a todo momento, por conta das medidas restritivas contra a Covid-19, um quarteto de amigas resolve fazer a muito adiada viagem dos sonhos.

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Se no primeiro filme da série Do jeito que elas querem, o que era o catalizador da narrativa era a escolha de 50 Tons de Cinza para o clube do livro formado por um quarteto de amigas de longa data, na sequência, Do jeito que elas querem – O próximo capítulo, a escolha literária, por assim dizer, que transforma a vida delas é o romance O Alquimista, do brasileiro Paulo Coelho.
 
A bem da verdade, o livro mal aparece meia dúzia de vezes ao longo do filme, mas sua filosofia de auto-ajuda, por assim dizer, é o que as guia na decisão de uma viagem à Itália.Tudo o que aparece pelo caminho, ingenuamente, elas tomam como “sinais” que devem ser interpretados.
 
O roteiro, assinado pelo diretor Bill Holderman e Erin Simms, prima pelo comodismo e a falta de criatividade. Ao mesmo tempo, o cenário italiano serviu comodamente como pretexto para investimentos financeiros do governo local na produção, o que, claramente, transforma o filme numa propaganda do país. Às grandes quatro atrizes, no entanto, cabe mais vergonha alheia na tela do que romance e risadas. Com diálogos visivelmente milimetrados para soarem engraçados, mas sem muito sentido, elas se esforçam como podem diante das situações pífias que precisam encenar, emolduradas por Roma, Veneza e Toscana.
 
Reencontramos as amigas onde foram deixadas no primeiro filme. Vivian (Jane Fonda) reencontrou o grande amor de sua juventude, Arthur (Don Johnson); a viúva Diane (Diane Keaton) encontrou novamente o amor com um piloto de avião rico, Mitchell (Andy Garcia); a juíza Sharon (Candice Bergen), agora aposentada, vive romances furtivos e cuida de sua gata; e Carol (Mary Steenburgen) vive bem com seu marido, Bruce (Craig T. Nelson).
 
O filme começa durante a covid-19, quando elas precisam aprender a usar o zoom para manter as discussões literárias, e, depois, simplesmente para manter contato umas com as outras. Com o levantamento das medidas restritivas e fim da proibição de viagens, elas decidem ir para a Itália – um sonho antigo que foi abandonado quando Diane engravidou. A desculpa para a nova viagem é que Vivian foi pedida em casamento, e essa será a despedida de solteira.
 
Não há nada de muito orgânico nessa narrativa absurdamente previsível e que não faz nenhum favor ao talento de nenhum ou nenhuma das envolvidas. Talvez a única qualidade seja Keaton desfilar seu típico figurino descolado que adotou desde seus dias de Annie Hall, e nunca mais abandonou – o que é excelente pois lhe cai muito bem. As demais atrizes não têm muito o que fazer a não ser seguir com os estereótipos numa Itália estereotipada.
 
É mais do que necessário que mulheres acima dos 60 – uma parcela claramente negligenciada pelo mainstream – se liberte dos papeis coadjuvantes de avós e bisavós, e as atrizes possam encontrar papeis à altura, personagens complexas em filmes que tenham algo a dizer. O que não é o caso aqui, numa produção que reúne quatro mulheres brancas privilegiadas e ricas para ler literatura ruim e fazer turismo na Itália – tanto elas, quanto o público, merecem mais.
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