19/07/2026
Documentário

Corpolítica

O documentário acompanha a campanha política de diversos candidatos e candidatas nas eleições municipais de 2020, indagando em que medida o corpo se torna um instrumento político.

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Em que medida o corpo é um instrumento político? É uma pergunta central no documentário Corpolítica, de Pedro Henrique França. Ganhador do prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio de 2022, o filme parte da história e do depoimento de  seis candidatos e candidatas às eleições municipais de 2020, traçando um retrato da representatividade LGBTQIA+ em cargos políticos.
 
Embora bastante convencional no formato, alternando entrevistas exclusivas com imagens de arquivo – especialmente de Bolsonaro e companhia em seus discursos, mesmo antes de eleito presidente, virulentamente homofóbico –, e é um documentário bastante sólido naquilo que se propõe a fazer. Com depoimentos de figuras como Jean Willys, Erika Hilton, William de Luca e Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, o documentário não se furta a uma discussão direta e de colocar o dedo na ferida.
 
Os discursos dos políticos homofóbicos são impressionantes – embora já conhecidos, revê-los traz à lembrança as narrativas, para usar uma palavra cara à direita brasileira, de violência física e emocional tão usadas em plenário, além de fake news, como o malfadado kit gay e a maliciosa ideologia de gênero – expressão popularizada também pela direita e usada como uma arma contra as pessoas LGBTQIA+.
 
Um dos depoimentos é de Fernando Holiday, primeiro vereador assumidamente gay eleito na cidade de São Paulo, que conta sobre como se assumiu homossexual e como é visto na política. E então Luca lembra muito bem como Holiday jamais defendeu pautas das minorias em seu mandato, por isso é tão querido pela direita.
 
Do pessoal, o filme tira o político de seus entrevistados e entrevistadas. As histórias de luta e violência são um denominador comum. Às vezes há apoio da família, às vezes não. Mas depoimentos de mães são emocionantes e encorajadores. Por outro lado, Bolsonario elogiando com sinceridade a posição política de Clodovil, claramente contra os direitos LGBTQIA+, quando ambos eram deputados federais, é, no mínimo, risível.
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