18/07/2026
Aventura Ação

Indiana Jones e a relíquia do destino

Em 1944, encarando os nazistas na busca de uma relíquia, Indiana Jones acabou apoderando-se da metade de um artefato, supostamente criado pelo sábio grego Aristóteles, que teria o poder de proporcionar viagens no tempo, se se encontrasse sua outra metade. Vinte e cinco anos depois, o bom e velho Indiana volta a confrontar os nazistas nesta busca, que agora conta com a participação de sua afilhada, Helena Shaw.

post-ex_7
Indiana Jones chega ao quinto e último capítulo de sua trajetória como um herói para todos os tempos, todas as estações. Dirigido pela primeira vez dentro da franquia por outro que não Steven Spielberg, no caso, James Mangold, Indiana Jones e a Relíquia do Destino se apropria da história e da mística deste que é um dos personagens mais marcantes e queridos da história do cinema com respeito e justiça ao seu espírito. O que rende um filme divertido e correto como fecho final de suas aventuras. Levando a termo a sorte de ter encontrado sua encarnação nas mãos do ator perfeito para ele, Harrison Ford, Indiana Jones encara os 80 anos com dignidade. 
 
Recorrendo ao rejuvenescimento digital de seu protagonista, o filme começa com um flashback em 1944, quando o então jovem aventureiro havia caído prisioneiro dos nazistas enquanto procurava uma relíquia, a lança de Longino, que seria propriedade de Hitler. Nas peripécias desta busca, no entanto, Indiana e seu fiel colaborador, Basil Shaw (Toby Jones), descobrem uma relíquia muito mais importante, a Anticítera, na verdade, a metade de uma peça originalmente desenvolvida pelo sábio grego Arquimedes e que teria o poder de proporcionar viagens no tempo - desde que se encontrasse sua outra metade, Grafikos. E aí a dupla encontra um cientista nazi, Jürgen Voller (Mads Mikkelsen), que passará as próximas décadas disputando a posse da poderosa invenção de Arquimedes. 
 
Na segunda parte da história, na Nova York de 1969, Indiana está velho, alquebrado e desiludido, acumulando perdas, como da esposa que procura o divórcio e do filho, morto na guerra do Vietnã. Mas é justamente nessa fase sombria que o reencontra a filha do amigo Basil, sua afilhada, Helena (Phoebe Waller-Bridge), que ele conhece desde criança. Helena sabe que ele guardou a Anticítera, que se tornara a obsessão de seu pai até a morte dele. Mas suas intenções a respeito da relíquia não são bem o que Indiana espera. E tanto ele quanto Helena se tornarão alvo de perseguições de uma turma de nazistas, das quais faz parte o velho Voller - que, como outros cientistas alemães, colocara seus conhecimentos a serviço do programa espacial norte-americano, que naquele momento comemora com grandes desfiles a volta da Lua dos astronautas da Apollo 11.
 
Se na primeira parte do filme as sequências de ação não se fizeram esperar, com direito a perseguição de moto e de lutas no topo de um trem em movimento, na segunda elas se tornarão ainda mais frequentes, com direito a Indiana galopando um cavalo bem no meio do desfile comemorativo à façanha dos astronautas. Evidentemente, a coisa não vai parar por aí, porque a caça da segunda metade da relíquia vai se estender a Tânger e à Sicília, com Indiana formando um trio infernal, integrado pela ambígua Helena e por um adolescente por ela recrutado, o esperto Teddy (Ethann Isidore). 
 
Um bocado de energia é injetada no filme por Phoebe Waller-Bridge, a consagrada criadora e atriz da série Fleabag, que traz uma camada de malandragem, humor e sensualidade à história, tornando-se uma parceira à altura do bom e velho herói. 
 
Mas nada funcionaria não fossem os atrativos do roteiro, assinado por Mangold, David Koepp, Jezz Butterworth e John-Henry Butterworth, que distribui incidentes à vontade para envolver os personagens na caça à relíquia, ainda que se arrisque um pouco na sequência final. Mas nada que estrague o prazer desta última aventura de Indiana Jones, que lhe permite fazer justiça à própria lenda e ainda retomar as pontas da própria história pessoal. Quem pode querer mais?
post