Tom Harris é um agente da CIA que está numa missão secreta no Irã. Porém, quando uma jornalista expõe sua identidade, a vida dele está em perigo. Para ser resgatado, precisa chegar até Kandahar, no Afeganistão. Nessa jornada, ao lado de seu tradutor, é perseguido por milícias, agentes secretos e forças governamentais.
- Por Alysson Oliveira
- 24/07/2023
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Missão de sobrevivência não difere muito do universo de filmes construídos com Gerard Butler como um herói sem superpoderes. Não importa onde: seja na Casa Branca, em Esparta ou no Oriente Médio, a narrativa é sempre a mesma. A linha de ação pode mudar aqui ou ali, mas onde o filme e o personagem chegam é sempre ao mesmo lugar.
Dessa forma, o filme vai ao encontro do público cativo de Butler, agora sob a direção de Ric Roman Waugh, que já dirigiu o ator em Invasão à Casa Branca e Missão Serviço Secreto, entre outros. Há uma clara tentativa de trazer algum lastro aqui, com o roteiro assinado por Mitchell LaFortune, ex-agente da inteligência que afirma ter baseado a trama em experiências pessoais.
A trama, aliás, é mais enrolada do que deveria. Muita conversa jogada fora até que, finalmente, começa a ação. Fala-se bastante da situação política da Ásia central, com grupos paramilitares, paragovernamentais e afins por todos os lados. O longa até tenta fazer-se compreensível, mas a situação da região é complexa demais, então se apela aos estereótipos mesmo.
Butler é Tom Harris, agente de campo da CIA, cuja missão, envolvendo uma planta nuclear iraniana, é denunciada a uma jornalista, Luna Cujai (Nina Toussaint-White), que é capturada pela Guarda Revolucionária Iraniana. Essa personagem, uma das mais interessantes do filme, simplesmente some da trama, deixando uma sensação frustrante de que o longa não quer se envolver muito nas questões mais espinhosas e complexas que rondam sua trama.
O que Harris precisa fazer – ao lado de seu tradutor, Mohammad Doud (Navid Negahban, excelente no papel), mais conhecido como Mo, um iraniano refugiado nos EUA, que voltou ao país em busca de sua cunhada desaparecida – é chegar a um ponto em Kandahar, onde podem ser resgatados. E, finalmente, a real trama do filme começa quando eles caem na estrada, fugindo de bombas, tiros e afins.
Há momentos de maior tensão dramática, como quando Harris diz a Mo como os EUA pouco se importam com seu país ou o encontro com uma figura poderosa e misteriosa, responsável pela morte de centenas de inocentes – incluindo o filho do intérprete. Mas ninguém entra num filme com Butler para ver densidade dramática ou geopolítica, por isso, o diretor Waugh parece saber que não se deve investir muita energia nesses momentos. Os demais seguem o protocolo do gênero, nada muito diferente do que se costuma ver nos filmes do ator em que ele corre com uma arma na mão.
