27/06/2026
Documentário

Môa, raiz afro mãe

Mestre Môa do Katendê (1954-2018) tem sua trajetória como compositor, músico, capoeirista, compositor, percussionista e educador lembrada neste documentário, que foi iniciado pouco antes de seu assassinato, em outubro de 2018.

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Iniciado antes do assassinato de mestre Moa do Katendê, em outubro de 2018, o documentário Môa, Raiz Afro Mãe, de Gustavo McNair, contempla boa parte da trajetória desse notável músico, compositor, capoeirista, percussionista e educador baiano. Assim, o filme teve a sorte de registrar entrevistas com esse personagem único e pioneiro, abridor de caminhos e tendências e cuja história merece ser conhecida e celebrada como um capítulo essencial da identidade cultural brasileira.
 
Nascido e criado no bairro Engenho Velho de Brotas, em Salvador, Romualdo Rosário da Costa, o futuro mestre Môa, era um dos “jovens loucos” que ali, na Curva do Asilo, nas proximidades do antigo Hospital Juliano Moreira, experimentaram a criação e as artes com a liberdade que caracterizaria o futuro bloco afoxé Badauê - este, o nome de uma composição de Moa, para o bloco Ilê Aiyê, em 1974. O bloco Badauê surgiria cinco anos depois, trazendo às ruas o ijexá, ritmo dos terreiros de candomblé, misturado ao reggae, ao afrobeat e à música cubana, com canções em português, enquanto os afoxés tradicionais cantavam apenas canções da liturgia do candomblé, em iorubá. Essas novidades revolucionaram o Carnaval baiano, instilando um sopro de renovação que garantiu ao Badauê o seu lugar na cultura popular.
 
Diversos personagens dão seus depoimentos, como Gilberto Gil, Lazzo Matumbi, Chicco Assis, Letieres Leite, Fabiana Cozza, Chico César e muitos outros, cada um pontuando sua aproximação com Môa, o aprendizado que ele foi capaz de legar em cada um dos momentos de sua vida - inclusive na maturidade, quando deixa Salvador e se desloca para São Paulo, onde se dedica ao ensino da capoeira a jovens de escolas estaduais e também da FEBEM, atual Fundação Casa. Mas ele nunca abandonaria definitivamente sua cidade natal, movendo-se entre Salvador, São Paulo e outros lugares para suas iniciativas culturais até sua morte. 
 
Todo esse caminho, bruscamente interrompido por um assassinato motivado pela intolerância política, depois do primeiro turno das eleições de 2018, resplandece, portanto, nos muitos frutos que o mestre, tão miúdo e tranquilo, deixou brotando atrás de si, em seus muitos alunos e admiradores. Repleto de música, o filme é uma digna homenagem a ele.

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