20/06/2026
Drama

Eami

Na região do Cacho paraguaio, os Ayoreo-Totobiegosode vivem em comunhão com a natureza. O desmatamento, no entanto, coloca em risco a vida da comunidade.

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Para o povo indígena paraguaio Ayoreo-Totobiegosode, eami significa mundo e floresta – o que deixa claro que a floresta é o mundo deles. A região onde habitam, no entanto, a do Chaco, é marcada por uma enorme taxa de desmatamento, colocando não apenas o meio-ambiente em risco, mas, também, a vida deles – como as de tantos outros povos originários na América do Sul. O filme ganhou o principal prêmio no Festival de Roterdã do ano passado.
 
A cineasta paraguaia Paz Encina tem uma obra marcada por um radicalismo poético, e em Eami, uma combinação de documentário e encenação, não é diferente. É um filme com seu tempo próprio que exige comprometimento e imersão do público, mas o que tem a dar em troca também é particular em sua visão de mundo e do presente.
 
A condução do filme é feita por uma personagem ficcional, Eami (Anel Picanerai), de 5 anos, que precisa deixar a região onde mora – como já aconteceu com vários de seus ancestrais. A menina é o centro das histórias do povo Ayoreo-Totobiegosode na medida em que agrega em si diversas narrativas, histórias de pessoas, e também da natureza.
 
A experiência do longa é marcada pela fotografia de Guillermo Saposnik, que transita entre tons pálidos, escuros até uma saturação de cores fortes – tudo no sentido de criar uma experiência de transformação e estranhamento típicas do cinema de Encina. A cineasta surgiu no cenário internacional com seu primeiro longa, Hamaca Paraguaya, de 2006, marcado pela construção do som e da imagem. Seu segundo filme, Ejercicios de memoria, é um documentário experimental sobre Agustin Goiburu, desaparecido em 1979, um dos maiores opositores ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner.
 
Aqui, ela novamente transita entre o experimentalismo e o afeto, e traça um retrato de um Paraguai marcado por diferenças sociais e políticas ineficientes. A montagem, da brasileira Joana Berg, constrói uma espécie de sinfonia entre a beleza natural e as histórias narrativas da cosmologia dos Ayoreo-Totobiegosode. Esse filme é como uma viagem, uma alucinação sobre um mundo que está ruindo e que merece toda a atenção para que seja salvo.
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