Os efeitos da TPM numa enfermeira pediátrica estão ao centro dessa comédia que traz Paloma Bernardi como a protagonista Monique, uma jovem cujas oscilações de humor acabam acarretando um série de desencontros e transformações em sua vida. A começar pelo título e o envolvimento feminino no longa – escrito e dirigido por mulheres, Jacqueline Vargas e Eliana Fonseca, respectivamente –, o que se busca aqui é discutir a posição da mulher numa jornada de empoderamento no mundo contemporâneo.
Monique é a favorita a uma promoção no trabalho mas, por conta de uma crise de TPM, seu comportamento se torna um tanto errático e ela acaba preterida por um homem. Fora isso, após pegar seu chefe assediando uma colega de trabalho, ela própria passa a ser pressionada por ele, que, por sua vez, é noivo da melhor amiga da protagonista, a prima dela Carol (Maria Bopp).
Enfim, é nesse universo marcado pelo patriarcado que sufoca as mulheres, até mesmo a partir de sua natureza – a TPM, assim como a menstruação em si, se tornam, novamente, ferramentas de opressão – que se move a narrativa de TPM! Meu amor. É um filme repleto de boa vontade, em especial a de fazer humor valendo-se do machismo e misoginia da sociedade brasileira, mas finalmente não sabe muito bem por onde ir, ou como abordar com humor suas questões.
TPM! Meu amor começa explorando uma espécie de dualidade de Monique, a diferença de quando está na TPM e quando não está – as mudanças no comportamento, na libido, no apetite. Mas isso acaba sendo deixado de lado para uma comédia romântica insossa quando ela se envolve com o novo ginecologista do hospital, interpretado por Rafael Zulu. Há também uma outra trama que nunca se encaixa direito no filme, protagonizada por uma menina doente, sob os cuidados da protagonista, que sonha em participar de um show de calouros.
O humor do filme de Eliana Fonseca parece datado. Situações que seriam engraçadas 20 ou 30 anos atrás, hoje soam mais como grotescas, como quando após colocar uma prótese peniana, o pai de Monique está sempre com o pênis ereto formando uma tenda em sua bermuda durante um churrasco para a família. Entende-se que o filme queira discutir a sexualidade em todas as idades, mas o roteiro da psicanalista Jacqueline Vargas não se encontra.
