O formato, um tanto incomum, junta dois personagens em um carro que passeia por diversos pontos da cidade, para levar Edmundo (Turíbio Ruiz), um velho cego que viveu em São Paulo na década de 1950, ao encontro de Tereza, mulher que abandonou junto com a cidade. A história fictícia é entrelaçada a depoimentos verídicos de excluídos sociais, como flanelinhas, prostitutas e pessoas que trabalham em lixões. Esses relatos, alguns bem emocionantes, permeiam as imagens de uma cidade abandonada, onde o trânsito caótico e a excessiva poluição se juntam a belíssimos prédios pouco preservados.
Em excelente performance, Adriano Stuart vive Zé Carlos um motorista malandro que conhece as quebradas paulistanas como poucos e as apresenta ao velho. Os dois personagens são também duas diferentes realidades. Enquanto um representa a antiga aristocracia da cidade, o outro faz parte do refugo da sociedade. É também através da degradação de bairros como Campos Elíseos que a fita contrasta dois tempos e duas visões: uma mais saudosista e outra extremamente realista. O lado nostálgico de Urbania é ilustrado com cenas dos filmes São Paulo S/A, Noite Vazia e Ganga Bruta e também de cinejornais da época.
