03/06/2026
Drama

Eu, capitão

Ainda adolescentes, os primos Seydou (Seydou Sarr) e Moussa (Moustapha Fall) resolvem abandonar a Dakar onde vivem, e parte numa arriscada jornada rumo à Europa, onde, acreditam, serão músicos de sucesso. Durante a viagem, encontram exploração física e financeira e degradação.

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Inexplicavelmente indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional e ganhador do prêmio de direção no Festival de Veneza, Eu, Capitão, de Matteo Garrone, é um exercício de sadismo que pretende expor as dificuldades de imigrantes africaos que rumam à África. Nesse sentido, o filme é puro misesy porn, explorando sem qualquer pudor situações degradantes que dois adolescentes sofrem em seu trajeto.

Não que não existam esses momentos na jornada de qualquer imigrante ou refugiado, mas, ao ser contada por um europeu, que, supostamente, quer fazer o mea culpa, o filme se torna mera louvação da grandiosidade europeia que, segundo o filme, recebe de braços abertos imigrantes de qualquer parte do mundo. No fundo, ao colocar dois atores senegaleses passando pelas situações de exploração e humilhação, nas mãos de um cineasta italiano, Garrone apenas repete a dinâmica que pretende criticar.

Os primos Seydou (Seydou Sarr) e Moussa (Moustapha Fall) partem de Dakar sem contar a ninguém e rumam à Itália, onde esperam encontrar uma vida melhor como músicos, e poder enviar dinheiro para suas famílias de lá. O trajeto já começa com a exploração: um passaporte falso custa muito dinheiro. Depois, no ônibus onde cruzarão uma fronteira, custa mais dinheiro ainda para que um policial armado “aceite” os passaportes.

 Já no caminho são, com outro grupo de imigrantes, abandonados à própria sorte no deserto do Saara por pessoas a quem pagaram para os transportar. A visão do filme, assim como a do trajeto, é a de sobrevivem os mais fortes. A meritocracia que o longa imprime em si é a falsa ideologia de que quem se esforça poderá chegar à Europa. Sem muito contato com a realidade, Eu, Capitão traz momentos de realismo fantástico que nunca funcionam bem, seja por estarem fora de lugar ou por ser cafonas mesmo.

Em outros momentos, Garrone faz usa os personagens para momentos de humor a partir da diminuição da dupla de personagens, como quando precisam esconder o dinheiro no anus, pois um homem aconselha que “esse é o melhor banco que existe.” Uma situação de vexação que o diretor opta por tornar cômica. 

Não são poucas as humilhações que Seydou e Moussa enfrentam, mas eles nunca perdem a esperança. Nas mãos de um diretor, digamos, senegalês talvez fosse mais crível, mas nas de um diretor europeu soa como exploração e mero louvor do suposto espírito acolhedor italiano.

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