Primeiro longa de Alexandre Alencar, Morte, vida e sorte anuncia um diretor seguro de suas escolhas, da fotografia em preto-e-branco, assinada por Marcelo Medeiros, às interpretações do trio central, Maria Paula Lima, Luiza Valio, Eva Bensiman. Elas são Tati, Bebel e Duda, três jovens atrizes em busca de uma oportunidade em São Paulo.
Como nada dá certo, resolvem montar sua própria peça, mas isso também não é simples. A falta de dinheiro limita as opções e, quando um patrocinador também dá para trás, elas precisam encontrar uma maneira de sobreviver. Apaixonadas pela arte, o cinema servirá de inspiração para encontrar uma maneira de resolver os problemas.
A chegada de uma arma cenográfica é o estopim para colocar um plano mirabolante em ação, como aqueles inspirados em filmes de assalto. Mas elas são boas atrizes a ponto de interpretar assaltantes? Ou não se deve confundir ficção com realidade, como diz uma delas? Qual o limite entre e a vida e a arte?
Transitando entre a comédia e o drama, o longa se encontra muito bem nos dois gêneros, especialmente por conta das atrizes, que estão muito bem o tempo todo. O humor decorre um pouco da ingenuidade delas, ou do otimismo quase incessante. Em cena, na peça, talvez não sejam boas atrizes, ou a peça em si não seja boa. Mas isso pouco importa.
Da amizade aos conflitos – as contas que não fecham, as discussões nos ensaios da peça – tudo é uma marca na transformação dessas jovens. O centro de São Paulo é o habitat melancólico delas. As ruas vazias, as pessoas que passam sem olhar para elas. O olhar altamente mercantilizado e viciado dos investidores que só pensam em projetos que deem altos lucros.
Como se percebe, é um cinema de guerrilha, feito com esforço coletivo, o que, de certa forma, espelha a história que se vê na tela. Feito com muita sinceridade e talento, Morte, vida e sorte é um pequeno filme que mostra talentos a se prestar atenção.
