Um dos atores indianos mais conhecidos internacionalmente, Dev Patel estreia na direção num pastiche de ação e filme de vingança com Fúria Primitiva. Destituído de qualquer originalidade, o longa se apoia em infinitos momentos de pancadaria para hipnotizar com uma música alta a todo momento para aumentar o efeito.
Patel, além de assinar o roteiro com Paul Angunawela e John Collee, é o protagonista, Bobby, um homem que viu sua mãe ser brutalizada e assassinada na sua frente quando ele era criança. Por isso, ele cresceu com ódio e um sentimento de vingança, que será externalizado quando ele chegar à idade certa.
Enquanto isso, ele ganha força e a vida em lutas livres clandestinas, usando uma máscara de macaco – uma piscadela para um mito indiano que sua mãe lhe apresentou quando pequeno. Ele, na verdade, não está ali para vencer. Pelo contrário, serve como saco de pancadas para outros lutadores brilharem. O Monkey Man ganha mais quando perde.
O filme é uma mistura quase inofensiva de John Wick com mitologia indiana até que resolve se envolver no terreno movediço da política. Entram em cena um guru espiritual com aspirações políticas e muito populismo, Baba Shakti (Makrand Deshpande), e uma organização criminosa da qual Bobby quer se vingar.
Sem experiência na direção, Patel transforma seu filme numa sucessão de cenas de ação genéricas, sempre com muita música e pouca criatividade. Talvez tenha mirado não apenas em John Wick, mas também em Kill Bill, mas sem o humor de Quentin Tarantino. Tudo é levado muito a sério, muito estiloso, o que não esconde o vazio da falta de imaginação e originalidade de Fúria Primitiva.
