04/06/2026
Drama

Zona de exclusão

Bashir e sua família são refugiados sírios que tentam entrar na União Europeia cruzando a fronteira entre a Bielorússia e Polônia. De um lado, os guardas poloneses tentam impedi-los a todo custo, enquanto um grupo humanitário procura ajudá-los na perigosa empreitada. Nos cinemas.

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A temática dos imigrantes/refugiados na Europa foi cara ao júri do Festival de Veneza de 2023, que premiou o diretor Matteo Garrone, por Eu Capitão, e Zona de Exclusão, da polonesa Agnieszka Holland, com o Prêmio Especial do Júri - este bem mais merecido do que o cineasta italiano, ao menos, por sua ambição em criar uma narrativa polifônica sobre essa questão.

Holland tem muito mais compaixão e respeito do que Garrone ao acompanhar a violenta jornada de imigrantes que buscam refúgio na Europa. Porém, o tratamento que recebem, marcado por abusos, só mostram como o projeto de civilização europeu fracassou. Para dar conta disso, a cineasta, que assina o roteiro com Maciej Pisuk e Gabriela Lazarkiewicz, introduz várias vozes e pontos de vista, construindo um vasto painel protagonizado por uma família de refugiados sírios, que buscam atravessar a fronteira da Polônia, marcada por florestas densas (daí o título original, "Fronteira Verde").

Filmado em preto e branco, com fotografia assinada por Tomasz Naumiuk, o filme busca uma atemporalidade, apontando a persistência do problema e dos sofrimentos dos imigrantes. Sabemos que estamos no presente por conta dos celulares, dos localizadores e afins, mas poderia muito bem ser no passado. 

Atravessando a Bielorrússia, a ideia da família é chegar à Polônia, onde, estando em solo da União Europeia, estariam a salvo, como acreditam. Mas a realidade é muito mais complexa do que isso, afinal o presidente polonês de extrema-direita, Andrzej Duda, não aceita dar asilo. Geopolicamente, é também uma questão bastante complexa, uma vez que a Bielorrússia pretende servir apenas de ponte até a Polônia, mas tem, também, interesses escusos para piorar a imagem do país vizinho. 

A família síria, composta por seis pessoas, não tem ideia de como seu plano é fadado ao fracasso. Bashir (Jalal Altawil, um refugiado sírio) tem o corpo marcado por cicatrizes de um embate com o ISIS. Ele traz consigo seu pai (Mohamad Al Rashi), sua mulher (Dalia Naous), e os filhos, o pré-adolescente Nur (Taim Ajjan), a filha do meio Ghalia (Talia Ajjan) e uma criança bem pequena.

No voo, acabam fazendo amizade com Leila (Behi Djanati Atai), uma afegã que, por acaso, acabará se unindo a eles na tentativa de travessia. Embora ela não fale árabe, a comunicação com ela se dará por um inglês rudimentar. A jornada envolve um vai-e-vem cruzando entre a Polônia e a Bielorrússia o tempo todo, de forma marcada pela violência e abusos emocionais.

A certa altura, o filme muda seu foco para os personagens poloneses, dando conta de que eles, também, vivem um inferno pessoal e político. Jan (Tomasz Wlosok) é um dos guardas da fronteira, e espera um filho com sua esposa (Malwina Buss), uma situação que o faz tentar ter empatia com as refugiadas grávidas que encontra pelo caminho.

Julia (Maja Ostaszewska) é uma psiquiatra que faz consultas on-line, e tenta, ela mesma, seguir em frente depois da perda do marido no começo da pandemia. Após ajudar os imigrantes da primeira parte do filme, ela se engaja num grupo humanitário de ajuda a refugiados.

Holland tem ambição aqui, mas nem tudo funciona. É difícil evitar o clichê de colocar o branco europeu como salvador dos refugiados, mas, ao menos, a cineasta busca trazer alguma complexidade aos personagens. Tudo é construído de forma fragmentada demais e nem sempre se consegue encaixar as peças de forma suave.

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