03/06/2026
Drama

Névoa prateada

Aos 8 anos, Franky dormia num pub, quando um incêndio afetou boa parte do seu corpo. Hoje, uma enfermeira adulta, ela procura se vingar de quem julga responsável pelo acidente. Mas, ao conhecer uma jovem suicida, acaba se apaixonando por ela.

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Apesar de holandesa, a cineasta Sacha Polak, com seu Névoa Prateada, se insere numa tradição britânica de cinema de classe trabalhadora, aproximando-se de cineastas com Ken Loach e Mike Leigh, mas, especialmente, das mulheres Andrea Arnold e Lynne Ramsay.

A protagonista é interpretada por Vicky Knight, uma enfermeira e atriz não profissional, que tem muito em comum com sua personagem, Franky. Ambas, aos 8 anos, tiveram boa parte do corpo queimados enquanto dormiam num pub. Por esse trabalho, Knight ganhou o Teddy Award no Festival de Berlim, um prêmio concedido a filmes de temática queer. 

Franky, como sua intérprete, é uma enfermeira, e se envolve com Florence (Esmé Creed-Miles), uma jovem sobrevivente ao suicídio, que conhece no hospital onde trabalha.  O encontro é uma chance para as duas tentarem deixar o passado para trás, e seguirem em frente com frescor em suas vidas. Porém, os traumas que acumulam acabam também pesando no presente. 

Franky acredita que o incêndio da sua infância foi causado pela mulher com quem seu pai vive hoje, e, embora não tenha absoluta certeza disso, nutre um sentimento de vingança. Em casa, com a mãe e a irmã, a protagonista também não encontra muito conforto. Mas, no relacionamento com Florence, ela conhece Alice (Angela Bruce), mãe adotiva da namorada, e com ela desenvolve a relação de afeto maternal que não encontra em sua própria casa. 

Lidando com temas densos como depressão e trauma, Polak filma com respeito e curiosidade a trajetória dessa jovem sem espetacularizar seu sofrimento, nem a transformar numa mártir. O olhar aguçado da cineasta conduz a narrativa de forma complexa, trazendo às personagens a mais profunda humanidade e caminhos de mudanças e transformação – mas, acima de tudo de uma busca pela cura de suas dores. A cineasta, que também assina o roteiro, bem sabe que é um processo lento e doloroso, mas possível.

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