Maestros estão na moda - ao menos no cinema, no qual se tornam uma espécie de alegoria para falar das agruras da humanidade. Seja em Tár, com a atormentada e possessiva Lydia Tár (Cate Blanchett), ou em Maestro, sobre Leonard Bernstein, escrito, dirigido e protagonizado por Bradley Cooper, num projeto que revela mais sua vaidade do que qualquer outra coisa. O francês Maestro(s), de Bruno Chiche, parte do filme israelense Nota de Rodapé (2011), mas troca o mundo dos estudos da Talmude pelo mundo da música clássica.
Denis (Yvan Attal) é um maestro em ascensão, que acaba de ser reconhecido com o prêmio Victoires de la musique classique. Seu pai, François (Pierre Arditi), está prestes a se aposentar, após ter uma longa carreira de sucesso mundial. Ele recebe uma ligação convidando-o para reger no La Scala, em Milão, e vê nisso a oportunidade de encerrar sua carreira de forma gloriosa. Porém, logo descobre que o convite era, na verdade, para o filho.
Denis, por sua vez, não tem certeza se quer abandonar sua vida em Paris, agora que tem uma nova namorada, nem deixar o filho, de quem tem guarda compartilhada com a ex-mulher (Pascale Arbillot). É nesse drama do personagem que Chiche investiga a relação conturbada entre o protagonista e seu pai.
A música é um elemento fundamental na construção dos laços entre pai e filho, marcados pela dificuldade de comunicação. Chiche, que assina o roteiro com Yaël Langmann e Clément Peny, traça aos poucos o processo de distensão da rivalidade entre os dois, que precisam encontrar um no outro a força para seguir em frente com seus propósitos.
Entre os coadjuvantes, a principal personagem é Hélène, mãe de Denis, interpretada por Miou-Miou, que serve como uma espécie de ponte entre pai e filho. É partir de uma conversa com ela, que a relação entre os dois começa a se reestabelecer. Isso também é algo que, no fundo, leva o filme evitar seu maior embate, esvaziando um pouco da potência que teria ao colocar uma terceira personagem resolvendo o conflito central.
Se, por um lado, é um filme um tanto frio, em sua cena final, Chiche consegue trazer à tona a emoção que parece, ele mesmo, evitar durante todo o tempo, concedendo uma conclusão marcante a um longa que, até então, foi apenas ok.
