09/06/2026

Hora do massacre

Um grupo de jovens ativistas se esconde numa loja de móveis antes de acabar o expediente, e pretende passar a noite vandalizando o local para chamar atenção do mundo contra os maus tratos a animais e desmatamento. Porém, eles não esperavam ser surpreendidos por um segurança especialista em caça primitiva.

post-ex_7

Por não serem gêneros ditos hegemônicos, o terror e a ficção científica são capazes de ser mais reveladores e transgressores. O que não quer dizer que o são o tempo todo. Hora do Massacre é um exemplo bem claro disso. Fantasia reacionária disfarçada de progressista, o longa transforma seus personagens em mensagens erradas por todos os lados para onde se olha. 

Dirigido pelos canadenses François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell, que assinam o filme como coletivo RKSS, o longa é tão vazio de sentido, embora seja tomado como uma crítica social. Partindo do roteiro de Alberto Marini, eles querem criticar tanto o capitalismo selvagem quanto a glorificação da violência e o ativismo desenfreado. Ou seja, não sobra nada, só o cinema ruim mesmo praticado por eles. 

Um grupo de jovens ativistas vai passar a noite numa loja fictícia de móveis para a vandalizar e, assim, segundo eles, chamar a atenção do mundo sobre o desmatamento e a matança de animais decorrente da produção desse tipo de móveis. Ora, todo mundo deveria saber disso. Duh. 

Depois de se esconderem na loja enorme ante que ela feche, começam a brincar de destruí-la durante a noite. Esses personagens são tão estereotipados que mal se distinguem como seres humanos; quando muito, são alvos-ambulantes para o segurança psicopata Kevin (Turlough Convery), adepto da caça primitiva, que consiste em caçar como um homem das cavernas, ou seja, produzir manualmente suas próprias armas. Antes de notar a presença dos jovens na loja, aliás, ele está fazendo um arco e uma flecha caseiros. 

Demora um pouco para que o tal massacre do título comece, até que finalmente Kevin e seu irmão, também segurança, Jack (Aidan O'Hare), percebam os invasores. Um incidente envolvendo uma delas (Charlotte Stoiber) faz com que o caçador fique ainda mais possesso em busca de vingança. É aí que, finalmente, Hora do Massacre começa de verdade – ou deveria. 

A matança não é surpresa, como já indica o título, mas também tem pouco de novo ou inesperado nos métodos empregados por Kevin em seu jogo de gato e ratos. Sangue para todo lado e supostas reviravoltas - nada de novo no reino do slasher. Fica a dúvida tola mesmo de quem é o vilão aqui, o carismático Kevin ou o bando de jovens ativistas ricos e chatos. 

post