18/07/2026
Drama

O Quarto ao Lado

Martha e Ingrid foram colegas, anos atrás, numa mesma revista. Passam anos sem se ver. Nesse período, Martha tornou-se uma ativa correspondente de guerra e Ingrid, uma escritora. Em Nova York para o lançamento de um livro, Ingrid descobre que Martha está com câncer. muito doente. A visita no hospital as reaproxima e coloca em pauta uma estranha proposta de Martha. Na Netflix.

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Primeiro longa em língua inglesa do consagrado diretor Pedro Almodóvar, O Quarto ao Lado venceu um merecido Leão de Ouro para o veterano diretor espanhol, com um enredo impactado, como seria de se esperar, por uma atuação de gala de suas duas protagonistas, Tilda Swinton e Julianne Moore - ainda que carregando um inegável tom mais frio, cerebral, de um cineasta sempre marcante pela temperatura caliente de seus melodramas.

Baseado num livro de Sigrid Nunez, o enredo retrata um dilema na vida de duas amigas de longa data, Martha (Tilda) e Ingrid (Julianne), que anos atrás trabalharam juntas numa revista. Um dilema de vida e morte: Martha, que se tornou uma veterana repórter de guerra, sofre de um câncer terminal. Tentou todos os tratamentos, tudo fracassou e decidiu pôr fim à própria vida com dignidade e sem dor. Mas, para isso, quer estar acompanhada de Ingrid, autora de um livro que fala de luto. 

É o tipo da situação-limite, melodramática e radical que serve ao gosto do diretor, que aqui se afasta do tom de sua obra anterior, mantendo as emoções em fogo brando - apesar da inegável angústia vivida pelas duas mulheres.

A rara presença masculina é Damian (John Turturro), que no passado foi, em tempos diferentes, amante das duas. Amigo de Ingrid, ele funciona como uma voz amiga, num filme sem sexo - sexualidade, aqui, é só falada, matéria das muitas memórias compartilhadas. 

Turturro é também um porta-voz de questões externas à intimidade das duas amigas, obcecado que é pela questão climática e angustiado porque o mundo caiu nas garras do neoliberalismo e da extrema-direita - gerando nele um pessimismo que o leva a tentar dissuadir seu próprio filho de ter um terceiro bebê. Nesse detalhe, Almodóvar infiltra também uma possível razão de ter abraçado este projeto, colocando em foco temas em torno da mortalidade, que tanto moveu o mundo a partir da pandemia. 

Este é, portanto, um Almodóvar mais contido e grave, que não deixa de referir-se, no entanto, ao próprio passado, incorporando seus habituais coloridos intensos nos ambientes e figurinos, destacados na fotografia de Eduard Grau, e instilando a trilha intoxicante do habitual parceiro Alberto Iglesias. 

Um outro aceno do cineasta espanhol para si mesmo é a cena final, que remete a Fale com Ela. Como se Almodóvar quisesse dizer que, apesar de tudo, continua o mesmo.

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