18/07/2026
Suspense

A Garota da Vez

Sheryl é uma jovem que se mudou para Hollywood para ser atriz. Sem conseguir trabalho, sua agente sugere que participe de um programa de namoro na televisão, o que lhe dará mais visibilidade, e poderá atrair novos trabalhos. O que ninguém sabe, porém, é que entre os candidatos está o serial killer mais famoso daquele momento. Nos cinemas.

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Conhecida em seus papéis em comédias – como Um Pequeno Favor e A Escolha Perfeita –, Anna Kendrick estreia como diretora num filme que impressiona não apenas por desviar do gênero que a fez conhecida, como, também, por subverter a forma do surrado true crime, histórias baseadas em crimes reais, tão usada especialmente pela Netflix. 

A garota da vez aborda a história real de um assassino em série sem cair no sensacionalismo ou suspense barato, duas constantes no gênero. Trabalhando a partir do roteiro de Ian McDonald, a diretora se interessa pelo ponto de vista das vítimas do feminicídio. E, apesar de ser a protagonista, ela é generosa o suficiente para dar espaço em especial a uma das vítimas, Amy, interpretada por Autumn Best.

Kendrick interpreta Sheryl, uma jovem que abandonou sua cidadezinha e se mudou para Los Angeles para ser atriz no final dos anos de 1970. Cansada de procurar trabalho e receber propostas que só se interessam por seu corpo, ela está a ponto de desistir, quando sua agente vem com uma oportunidade: participar de um jogo de namoro na televisão. Ela só tem que ir lá e ser ela mesma. A visibilidade, garante a mulher, lhe trará novas oportunidades.

Ao mesmo tempo, o filme mostra Rodney Alcala (Daniel Zovatto), um fotógrafo bom de conversa que convence suas vítimas, em maior parte mulheres, a posar para ele, para depois as matar. Boa parte do suspense do filme vem do fato de sabermos que ele é o criminoso – desde a primeira cena – mas a pessoas que se deixam levar por ele só descobrem isso quando é tarde demais. 

Não é exatamente uma surpresa que ele estará no programa do qual Sheryl participa. Ele é o candidato número 3, atrás de um biombo que a impede de ver os concorrentes, que respondem perguntas pré-formuladas. Do trio, ele é o mais charmoso, atencioso e com as melhores respostas – ao contrário dos colegas, ele não soa misógino ou tapado. 

O filme se abre em diversas narrativas. Volta ao passado para mostrar outras vítimas, acompanha Amy, uma jovem que fugiu de casa e é encontrada por ele. E há ainda uma outra mulher importante aqui, Laura (Nicolette Robinson), que está na plateia do programa e reconhece Rodney, que foi a última pessoa vista com sua melhor amiga antes de ser assassinada. Ela faz de tudo para avisar a produção do programa, mas é silenciada. 

Nesse sentido, o filme trabalha com diversas opressões às mulheres, além de abordar também o feminicídio. Sheryl só conseguiria um emprego no cinema se expusesse seu corpo. Laura é desacreditada por seu namorado quando conta a ele sobre o assassino, e até pela polícia quando faz uma denúncia. 

Kendrick mostra diversas referências cinematográficas – de Zodíaco a Magnólia, com os bastidores do programa televisivo –, além de uma segurança na condução da história que poderia facilmente cair num planfletarismo vazio ou tornar-se banal com sua estrutura um tanto intrincada. No entanto, a construção da narrativa não é nada casual, as idas e vindas no tempo servem para mostrar como os crimes contra as mulheres são uma constante e precisam ser combatidos. 

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