18/07/2026
Comédia

Romeu é Julieta

Vittoria é uma jovem atriz, que namora outro ator, Rocco. Quando um famoso e temperamental diretor de teatro, Federico Porrini, começa a escalar seu elenco, ambos se candidatam. Ela acaba recusada por uma questão passada. E resolve voltar a tentar, agora disfarçada de homem. E consegue o papel de Romeu, criando uma série de confusões. No Festival de Cinema Italiano (grátis no streaming do site até 8/12/2024).

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Giovanni Veronesi é um diretor que gosta de brincar com os clássicos. Foi assim em Os Mosqueteiros do Rei (2020), em que ironizava os célebres personagens criados por Alexandre Dumas imaginando-os depois da aposentadoria. A intenção satírica é evidente a partir do título de sua nova comédia, Romeu é Julieta, embora o alvo da piada não seja exatamente William Shakespeare, mas as circunstâncias de uma montagem. 

Diretor famoso e vaidoso, Federico Landi Porrini (Sergio Castellitto) vive um certo ocaso na carreira. Precisa urgentemente de um novo sucesso e acaba decidindo-se a remontar Romeu e Julieta a partir de uma abordagem inovadora. Perfeccionista e intolerante, ele promove seu casting, em que chega a humilhar muitos dos candidatos que se apresentam. Entre eles, estão Vittoria (Pilar Fogliatti) e seu namorado, Rocco (Domenico Diele), dois jovens atores em busca de uma grande chance na carreira. 

Nenhum deles é escalado, mas Vittoria ficou especialmente perturbada pela maneira como foi tratada pelo diretor - que desenterrou um vexame passado de sua carreira. Unindo-se à maquiadora que trabalha com Porrini, Gloria (Geppi Cucciari), que também tem sua pendência com o diretor, Vittoria desenvolve um plano mirabolante: maquiada pela amiga, fazer-se passar por homem e tentar conquistar o papel de Romeu.

Absurdo como é, o plano acaba dando certo e funciona na medida para satisfazer a vingança pretendida por Vittoria, agora assumindo a identidade de Otto Novembre (que, em italiano, quer dizer “oito de novembro”, o dia do aniversário da moça). Mas, como em toda comédia de erros, o fingimento tem seu preço, acarretando uma série de acomodações que Vittoria tem que fazer em seu cotidiano, inclusive, enganar seu namorado - que, por outro acaso,acaba conseguindo o papel de Mercúcio, o melhor amigo de Romeu.

O roteiro, desenvolvido pelo diretor, Pilar Fogliatti e Nicola Baldoni, sustenta-se na esperada série de confusões em que a protagonista entrará por conta de seu disfarce. Caminhando num território arriscado, o das questões de gênero, o filme de Veronesi consegue esquivar-se de polêmicas, atendo-se a um humor mais simples e direto. A exceção é Castellitto, que se esbalda no papel de um diretor ultra-temperamental, que vive uma relação atribulada com seu parceiro, Lori Maurizio Lombardi), e carrega consigo todos os exageros e estereótipos que lhe deram na veneta. Não fosse Castellitto o intérprete experiente que é, talvez pudessem causar incômodos maiores num tempo em que as sensibilidades diante destas questões podem ser exacerbadas. Mas, afinal, a comédia não vai tão longe e sua conclusão é até mais satisfatória do que se poderia esperar.

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