Transitando entre o lirismo e o didatismo, Cristina, 1300 - Affonso Ávila - Homem ao termo, dirigido por Eleonora Santa Rosa, tem uma eficiência bem grande ao captar a obra e a vida do poeta mineiro Affonso Ávila, morto em 2012. Ao trazer poemas ao filme, a diretora prova a grandiosidade do poeta por meio das palavras, evidenciando a força de sua poesia - ao contrário de apenas trazer depoimentos falando isso.
Embora o formato se valha de alguns momentos um tanto didáticos, estes parecem necessários para deixar claro quem foi Ávila e sua trajetória, uma vez que, embora importante, não seja tão conhecido como um Drummond, por exemplo, seu conterrâneo e contemporâneo, mesmo que sejam de gerações distintas.
Não há como negar, no entanto, que alguns dos melhores momentos do filme são quando o próprio poeta fala, em entrevista à diretora, sobre si mesmo, sua poesia, e o papel e força da poesia em si. São momentos poéticos e muito lúcidos, mas, também, de meditação histórico-social, como quando aborda o golpe de 1964.
A narração dos poemas - alguns na voz inconfundível de Vera Holtz - combina bem com o que é dito em primeira pessoa, revelando assim de forma orgânica os laços entre a vida pessoal e a arte.
