04/06/2026
Drama

Avenida Beira-Mar

Depois da separação dos pais, Rebeca vai morar com a mãe na antiga casa de praia da família desta, em Niterói. Neste novo ambiente, ela faz amizade com uma menina, Mika, que é trans e sofre bullying, além da incompreensão dos pais.

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Premiado com o troféu Félix de melhor filme no Festival do Rio 2024 e atração de abertura do MixBrasil, Avenida Beira-Mar desdobra várias camadas da procura de viver uma identidade trans na adolescência. 

Dirigido e roteirizado por Maju de Paiva e Bernardo Florim, o filme acompanha a amizade entre duas garotas, Rebeca (Milena Pinheiro) e Mika (Milena Gerassi). Mika é o nome adotado por esta adolescente de 13 anos cuja identidade sexual não é aceita pelos pais - ela nasceu João Pedro e assim eles querem forçá-la a permanecer, especialmente a mãe, Viviane (Isabel Teixeira).

Vivendo num subúrbio perto da praia, em Niterói, as duas garotas desenvolvem um relacionamento de trocas mútuas, ao mesmo tempo de alguns conflitos. Quando descobre Mika invadindo a casa de praia para onde acabou de mudar-se com a mãe (Andréa Beltrão), Rebeca não pode mesmo deixar de assustar-se.
À medida que os dias passam, ambas descobrem que podem apoiar-se mutuamente numa jornada de crescimento de cujo cardápio fazem parte as habituais inadequações com o ambiente e a família, além do enfrentamento do bullying de garotos intolerantes com a identidade sexual de Mika.

O filme trafega por esses obstáculos com delicadeza, buscando a naturalidade das interpretações. O tom emocional só sobe um pouco, compreensivelmente, numa cena de almoço em que Rebeca presencia uma explosão da mãe de Mika que demonstra toda a sua incompreensão da situação.

Não há muito o que fazer neste contexto, exceto a esperança - como a de que Mika possa reencontrar a irmã mais velha, que partiu. De todo modo, ela é jovem demais para viver sozinha e colocar a história dessa perspectiva lhe confere o quilate que ela precisa. São apenas pessoas comuns diante de uma questão que não encontra ainda aceitação fácil na sociedade. Mas é possível empatizar, e muito, com a jovem intérprete Milena Gerassi, que confere autenticidade a um papel que não é nada simples.

 

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