20/07/2026
Documentário

Only the Strong Survive

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Exibida como parte da seleção da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes em 2002, com a presença de alguns dos músicos que retrata, a sessão deste filme transformou-se numa jam session animadíssima. É mesmo difícil, além de fora de propósito, segurar os pés ao desfrutar deste verdadeiro catálogo vivo da soul music, que reafirma o primado de monstros sagrados como Wilson Pickett e Isaac Hayes ao mesmo tempo que reapresenta feras indiscutíveis, mas menos lembradas, como a cantora Carla Thomas e seu pai, Rufus Thomas, Mary Wilson, a única remanescente do The Supremes original e que mantém ativo o trio, Jerry Butler, Sam Moore, Ann Peebles, William Bell, The Chi-Lites e muitos outros.

Junto com a música de alto quilate, o filme tem a felicidade de reafirmar a força humana dessas figuras, desfiando os altos e baixos de suas carreiras e os habituais renascimentos das cinzas, tantas vezes parte da biografia dos artistas. Não escapa dessa sina nem mesmo o mito Isaac Hayes, que já foi à falência, perdendo os direitos de seus maiores sucessos. Mas nem por isso o vozeirão se abalou. Deu a volta por cima, como todos os outros colegas de tela.

Neste sentido, é possível traçar uma irmandade cristalina com o Buena Vista Social Club de Wim Wenders. Além do mais, Only the Strong Survive - que tira seu oportuno título de uma canção de Jerry Butler - é mais um exemplo cabal para reafirmar, como se necessário fosse, a riqueza do gênero documental, que recentemente tem mostrado tanta ou mais pujança e criatividade do que a ficção.

Ao retratar com tantas nuances a diversidade da soul music, o filme retira-a de uma espécie de gueto dentro da música negra, espremida entre a sofisticação elitizada do jazz e a popularidade bruta do rap. Ao fazê-lo, empreende uma espécie maior de resgate, igualmente da maior importância, porque torna o filme uma espécie de manifesto contra o preconceito e a ignorância, de um lado, e a mesmice, do outro.

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