19/07/2026
Drama Político

Redenção

Em 2000, o ex-governador e político do Partido Socialista Obreiro Espanhol Juan Maria Jáuregui, é assassinado pela ETA um café. Sua viúva, Maixabel Lasa, torna-se uma ativista pelos direitos humanos, não só em prol de vítimas da atuação de grupos guerrilheiros como a ETA mas também da violência policial. Anos depois do assassinato do marido, dois de seus executores mandam recado para a viúva, pedindo um encontro para pedir perdão.

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Diretora experiente e premiada, Icíar Bollaín arrisca-se em terreno perigoso na escrita e condução deste drama político em que aborda alguns dos momentos dolorosos na esteira da atuação do grupo ETA, um episódio traumático na história recente da Espanha. E sai-se bem num drama potente, inspirado em fatos reais e colocado em movimento por atuações impecáveis. 

O filme começa a sangue quente, reconstituindo o assassinato do ex-governador e político do Partido Socialista Obreiro Espanhol Juan Maria Jáuregui (Josu Ormaetxe), num café, no ano 2000. Sua viúva, Maixabel Lasa (Blanca Portillo), torna-se uma ativista de direitos humanos, não só em prol de vítimas da atuação de grupos guerrilheiros como a ETA mas também da violência policial. Mostra-se, assim, uma digna herdeira do marido, que trabalhara para o diálogo com grupos extremistas, ainda que caindo vítima deles. 

Onze anos depois do assassinato do marido, que a traumatizara assim como à filha única do casal, Maria (Maria Cerezuela), Maixabel recebe uma proposta inusitada. Em tempos em que boa parte dos guerrilheiros da ETA havia rompido com a organização por seus métodos, renegando a violência que cometeram, um dos responsáveis pela morte de Jáuregui quer falar com sua viúva. 

Surpreendida pela iniciativa desse homem, Luis (Urko Olazabal), Maixabel hesita. Tem a opinião contrária da filha, que, no entanto, não procura impedi-la. E Maixabel acaba aceitando o contato, que será na prisão onde se encontram esses guerrilheiros arrependidos, mediado por uma psicóloga.

Na primeira metade do filme, já se tivera o cuidado de delinear as figuras de dois desses guerrilheiros, além de Luis, autor dos disparos contra Jáuregui, também Ibon (Luis Tosar), que dirigia o carro naquele dia. Ao humanizar estas figuras, a diretora é particularmente eficiente, atingindo um equilíbrio ao dar-lhes voz sem procurar desculpas ou facilitações. Eles foram pessoas que fizeram escolhas e agora sabem que devem pagar por isso.

O encontro com Maixabel, que mais tarde verá também Ibon, é um daqueles momentos em que o pessoal e o coletivo se encontram para retratar os dilemas de um país. De sua parte, a viúva procura entender as razões daqueles que a feriram tão profundamente, roubando de seu convívio um companheiro com quem ela dividia sua vida desde os 16 anos. Do lado dos dois homens, eles procuram, cumprindo suas sentenças de prisão, acomodar seus próprios sentimentos quanto a um passado que agora rejeitam e, dentro do possível, pedir perdão a uma de suas vítimas;

Uma personagem secundária, porém marcante, é a mãe de Ibon (María Jesús Hoyos). Através dela, é possível enxergar outra vítima dessa luta inglória da luta armada, não tendo podido impedir seu filho de tornar-se parte dela e assassino. 

O filme informa que, em 2011, meses depois do contato de Maixabel com os arrependidos, a própria ETA anunciou ter desistido completamente da luta armada, que movera por 43 anos, causando centenas de vítimas, além dos seus próprios integrantes mortos em ações. Salta assim aos olhos o interesse do denso filme de Icíar Bollaín de contribuir para uma reflexão sobre a idéia de reconciliação, mais do que nunca na ordem do dia em tempos que se define como polarizados. 

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