18/07/2026
Drama religioso

Inexplicável

Gabriel é um menino saudável que sonha em ser jogador de futebol, Mas, ao ser diagnosticado com um câncer no cérebro, sua vida se transforma. Depois de uma cirurgia bem-sucedida, ele contrai meningite bacteriana, e os médicos não acreditam que ele possa se recuperar. Mas a fé de sua mãe é inabalável.

post-ex_7

Inexplicável vem com o aposto “baseado em fatos reais”, o que faz parecer que tudo deva ser aceitável, pois (supostamente) aconteceu assim. Baseado no livro-reportagem O menino que queria ser jogador de futebol, do jornalista Phelipe Caldas, o longa conta a história de Gabriel, nascido em 2005 em João Pessoa, que depois de diagnosticado com um câncer no cérebro, foi operado. Durante a recuperação, contraiu meningite bacteriana, deixando-o em coma profundo entre 2013 e 2014.

Dirigido por Fabrício Bittar (que, nos anos de 1990, ficou famoso como o personagem Reginho, da novela Mulheres de Areia), esse é um filme religioso, pois a fé cristã é considerada a principal explicação para a recuperação do menino. Isso não é nenhum spoiler, afinal, toda a divulgação do filme está baseada nessa alegação.

O roteiro assinado por Bittar e Andrea Yagui começa, por assim dizer, ocultando ainda seus intentos religiosos, mostrando a dura batalha de uma mãe (Letícia Spiller, muito bem) e um pai (Eriberto Leão) pela vida do filho pequeno, Gabriel (Miguel Venerabile), que começa reclamando de dor de cabeça e, em poucas horas, está numa mesa de cirurgia sendo operado no cérebro.

Essa primeira luta contra o câncer é narrada de maneira sóbria. A mãe, Yanna, tem muita fé, reza até mesmo antes do menino participar de uma partida de futebol, a grande paixão dele, enquanto o pai, Marcus, é cético. Mostrar a fé de personagens num filme é uma coisa, fazer proselitismo é outra completamente diferente, e Inexplicável não se importa de cruzar essa linha, desacreditando até a medicina. O trabalho árduo dos médicos – em especial o dr. Christian (André Ramiro, também muito bem) –, supostamente, não explicaria como o menino sobreviveu mesmo após ser dado como morto. 

O excesso de trilha sonora e uma música em inglês – cujo refrão exalta Praise the Lord – faz questionar as escolhas estéticas altamente televisivas do longa, com sua pouca elaboração visual ou estratégias típicas de roteiros de telenovelas, com o intuito de forçar a emoção numa história que é, por si mesma, emotiva. É, obviamente, um filme de apelo popular e muito direcionado a um público de fé cristã – e, embora não nomeie, claramente, católica. 

post