03/06/2026
Drama

Sol de inverno

Numa pequena ilha japonesa, um ex-campeão de patinação artística, Arakawa, torna-se professor na escola local. Uma de suas alunas mais talentosas é Sakura, que é admirada de longe pelo menino Takuya - que é pressionado a praticar hóquei, mas não se adapta bem. O professor acaba aceitando Takuya como aluno e procura treiná-lo com Sakura para que formem uma dupla para uma competição. Mas, ao mesmo tempo, surgem sinais de que esta comunidade pode ser mais intolerante do que parece. Na Now, iTunes, Microsoft e Google Play.

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O delicado segundo longa do jovem diretor japonês Hiroshi Okuyama remete ao minimalismo de um Yasujiro Ozu, ao retratar as discretas emoções e também as tensões de uma pequena ilha do interior do Japão. 

A vida da comunidade é movida ao sabor das estações, particularmente os esportes a que se dedicam as crianças locais. Na temporada de verão, é o beisebol. Na de inverno, o hóquei para os meninos, a patinação artística para as meninas. Evidentemente, estes padrões de gênero, rígidos pela tradição, nem sempre são observados à risca. E o pequeno Takuya (Keitatsu Koshiyama) começa a interessar-se mais pela patinação do que pelo hóquei, em que ele é desajeitado e desatento.

O interesse de Takuya, que passa um longo tempo olhando as evoluções da menina Sakura (Kiara Takanashi) pela pista de gelo, não escapa ao treinador dela, Arakawa (Sosuke Ikematsu), um ex-campeão na modalidade. O treinador estimula os dois a formarem uma dupla e participarem da próxima competição.

Muito do filme se passa nessa pista de gelo, mostrando os movimentos dos pequenos mas também se dedica à ligação afetiva entre o trio, que escapa um pouco à rigidez habitual das relações entre os membros da escola. 

Há um estilo muito particular, e muito japonês também, na maneira como se observa estas ligações entre o trio e se expõem os sonhos e expectativas das duas crianças em relação à patinação. Para Takuya, particularmente, um menino tímido e vítima de bullying por ser um pouco gago, a patinação é uma espécie de libertação, de expressão de um talento que ele desconhecia, o que lhe dá uma nova segurança e auto-estima. Para a menina, porém, que é extremamente habilidosa e um pouco vaidosa também, as expectativas são outras - especialmente em relação ao professor, que é gay mas mantém bastante discrição sobre sua vida pessoal.

A partir desse microcosmo, o diretor consegue montar um painel de afetos e uma análise de mentalidade particularmente aguda e sutil. E não se furta a tecer uma crítica incisiva à intolerância nesta porção final.

 

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