12.12: O Dia é, primordialmente, um filme para sul-coreanos sobre a história do seu país. Para o restante do mundo, sempre há o interesse sobre fatos históricos e seus desdobramentos, mas o cineasta Sung Soo Kim não ajuda muito aos não iniciados na história local, num vai e vem político sem conseguir criar uma tensão fílmica.
A tentativa de golpe de estado na Coréia do Sul no final de 2024 pode despertar algum interesse por esse filme, afinal, ao centro aqui está também um evento histórico parecido acontecido em dezembro de 1979, depois do assassinato do presidente Park Chung-hee. Por conta das severas leis sul-coreanas, os nomes das personagens foram mudados, informando-se que eventos “foram ficcionalizados para fins dramáticos”.
Uma figura central é o comandante de Defesa e Segurança, o general Chun Doo-gwang (Hwang Jung-min), inspirado em Chun Doo-hwan, que tomou o poder, no qual ficou por oito anos. Ele se torna o principal investigador do assassinato do presidente, batendo de frente com o general Lee Tae-shin (Jung Woo-sung).
Lee, por sua vez, é convocado pelo exército para manter a ordem enquanto o primeiro ministro Choi Han-gyu (Jung Dong-hwan), como presidente em exercício, está no poder.
Enfim, são dinâmicas de poder complexas, que se desenvolvem num filme que começa com a narrativa já no meio da ação, com Chun já calculando as possibilidades de subir ao poder, e, durante o tempo todo, nunca abrirá mão dessa possibilidade. “A noite da revolução é curta, mas a sua glória dura para sempre”.
A suposta glória que ele obteve é dúbia. De um lado, com seus comparsas e apoiadores, é positiva, mas para o povo sul-coreano, a Quinta República da Coreia, que ele fundou em 1981, é marcada pelo abuso de poder e campos de reeducação, mesmo com o superávit que o país alcançou em 1986. Em 1987, atendeu ao clamor popular e permitiu uma eleição livre e aberta em dezembro daquele ano, na qual o vencedor foi seu amigo Roh Tae-woo, que não mudou muito as políticas de Chun. Este, por sua vez, foi condenado pelo Tribunal Superior de Seul em 1996 por várias acusações, entre elas traição e insurreição.
