26/06/2026
Documentário

Alma do deserto

Georgina, uma mulher transexual da etnia Wayúu, moradora do norte da Colômbia, tenta há anos tirar novos documentos com seu nome social, para poder exercer seus direitos, como votar.

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Vencedor do Queer Lion no Festival de Veneza de 2024, concedido ao melhor filme com temática LGBTQIA+, a coprodução entre Colômbia e Brasil Alma do deserto se coloca num ponto de atenção e respeito com seu tema e protagonista: Georgina, uma mulher transexual da etnia Wayúu, que há anos luta pelo reconhecimento de sua identidade, de forma material e social. 

Moradora da região de La Guajira, no norte da Colômbia, ela viaja a pé para a capital do departamento para tentar tirar uma nova carteira de identidade com seu nome social e gênero, mas, por anos, isso lhe é negado. A busca por esse documento é uma metáfora pela aceitação da identidade dessa mulher, mas também que lhe permita exercer seus diretos civis, como votar. 

Escrito e dirigido pela colombiana Mónica Taboada-Tapia, o longa, de forma poética, acompanha Georgina em sua jornada pessoal e na luta por melhores condições de vida, num lugar marcado pela violência e pobreza. Transitando entre o documental e a encenação, o filme resgata episódios da vida da protagonista, muito hostilizada por moradores dos arredores. 

Taboada-Tapia evita o didatismo, e isso já começa com a introdução da personagem num lugar repleto de pessoas falando ao mesmo tempo, todos com demandas burocráticas mais variadas, entre elas, Georgina. A partir daí, a montagem de Will Domingos organiza o filme de forma mais impressionista do que narrativa, até que lá pelas tantas, Alma do deserto encontra seu foco e seus eixos e se torna mais compreensível. 

Abarcando temas como gênero e raça, o longa alcança maior complexidade conforme a trajetória de Georgina avança. De questionamentos pessoais a demandas comunitárias do município de Uribia, conhecido como a capital indígena da Colômbia, contando com quase metade de sua população composta por pessoas dos povos originários, o longa faz um retrato do presente, com urgência e relevância. 

 

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