18/07/2026
Comédia

Onda Nova

Em 1983, quando a ditadura dá seus últimos suspiros, um grupo de jovens jogadoras de futebol lutam pelo direto de praticar o esporte profissionalmente, ao mesmo tempo que experimentam o amor e as descobertas sexuais.

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Segundo longa de uma trilogia dirigida por Ícaro C. Martins e José Antônio Garcia, Onda Nova foi exibido pela primeira vez na Mostra de Cinema em São Paulo em 1983. Depois, proibido pela censura da ditadura civil-militar , o longa foi lançado um ano depois, e pouco visto. Agora, mais de quatro décadas depois, reestreia numa cópia restaurada que estreou no Festival de Locarno. 

Audaciosa para sua época – e, também, para um presente marcado pelo conservadorismo –, essa comédia tem como protagonistas jogadoras de um time de futebol feminino, esporte que acabara de ser permitido a mulheres no Brasil. Se só agora o esporte é muito mais popular, nos anos de 1980 o fictício Gayvotas Futebol Clube era uma verdadeira transgressão para as personagens e os filmes.

Jovens personagens femininas interpretadas por atrizes como Carla Camuratti, Cristina Mutarelli, Vera Zimmermann, entre outras, vivem conflitos típicos de sua geração, que o filme mostra de forma muito sincera e bem-humorada. Do futebol feminino, pouco comum na época, ao sexo livre, o longa faz o retrato de uma juventude que nasceu e cresceu na ditadura, e agora quer experimentar tudo o que considera ser seu de direito.

Produzido na Boca do Lixo, embora não seja uma pornochanchada, o filme levanta questionamentos pertinentes sobre a juventude de sua época, mas que, de certa forma, reverberam até hoje em sua investigação do que é ser jovem. As cenas de sexo, que não chegam a ser explícitas, são um tanto gráficas, e filmadas com muita leveza e graça, dando às mulheres papel proeminente, em busca de seus desejos. 

Com uma estrutura mais livre do que os dois outros filmes do conjunto - Olho mágico do amor (1982) e A Estrela Nua (1984), todos com Camuratti no papel principal – , o filme é uma ode divertida à liberdade de expressão, que também inclui a liberdade sexual, colocando o dedo num tabu de forma divertida e sagaz. 

 

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