25/06/2026
Documentário Drama

A Versão de Anita

Misto de ficção e documentário, o filme procura explorar vários aspectos da história da heroína brasileira Anita Garibaldi (1821-1849).

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Híbrido de ficção e documentário, a produção ítalo-brasileira A versão de Anita, de Luca Criscenti, resgata a memória de Anita Garibaldi (1821-1849), escavando por trás de vários mitos em torno da heroína brasileira.

Nascida em Laguna (SC), ela acabou tornando-se famosa por sua ligação com o herói de dois mundos, o italiano Giuseppe Garibaldi. O filme procura mostrar que ela foi muito mais do que a mulher por trás do grande homem.

Para percorrer as nuances dessa história, o filme recorre à interpretação da atriz Flaminia Cuzzolli, que interpreta Anita ao longo do filme. Na primeira sequência, como uma sua versão rediviva nos dias atuais, concedendo uma entrevista ao jornalista Marino Sinibaldi.

Nas sequências históricas propriamente ditas, a mesma atriz segue na pele de Anita, em sua vida aventurosa e lutadora a que não faltaram atitudes que hoje em dia seriam consideradas feministas. Como ter seguido Garibaldi apesar de ainda ser legalmente casada, embora separada, de um homem que odiava e com quem sua mãe forçara o matrimônio quando ela tinha apenas 14 anos, procurando domar o que considerava rebeldia.

Chegado ao Brasil em 1835, Garibaldi juntou-se à luta republicana de Bento Gonçalves, no sul do Brasil. Quatro anos depois, conheceu Anita. Uma jovem mulher que, aliás, sabia cavalgar e manejar armas, sem contar o seu conhecimento das serras brasileiras, adquirido quando ela viajava com o pai, um pequeno criador de gado, que morreu quando ela tinha 12 anos. Ou seja, estava pronta para assumir a vida guerreira ao lado dele.

O filme procura desmontar lendas sobre sua protagonista, de quem passou à História uma visão um pouco edulcorada, ainda que inegavelmente heróica, tendo em vista os tempos turbulentos que ela viveu, tanto no Brasil quanto na Itália. Para esse país ela emigrou em 1848, quando Garibaldi foi juntar-se ao movimento liberal pela unificação italiana.

Vivendo essa vida nômade, deixando seus filhos com a sogra em Nice, na França, Anita morreu precocemente, aos 27 anos - o que serviu, inclusive, para que os inimigos de Garibaldi levantassem contra ele a falsa acusação de que a teria assassinado. Dez anos depois de sua morte, o marido finalmente pôde retornar para resgatar seu corpo, sepultado em Mandriole, levando-a para Nice, depois Gênova, sendo sua sepultura final em Roma. Mas nem depois de morta Anita escapou de apropriações indébitas. O fascismo usou sua memória heróica, erigindo-lhe um monumento equestre, caso único em se tratando de uma heroína feminina, ainda que a luta de Anita tenha sido em tudo oposta ao que Mussolini e seus asseclas pontificavam. Por isso, o filme procura de certo modo dar-lhe de novo a palavra, soltando-a das amarras de tantos mitos e elucubrações.

 

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