O Bixiga é Nosso! é um documentário sobre o impacto social da união de uma comunidade a fim de transformar sua região. Bairro tradicional de São Paulo, na Bela Vista, o Bixiga é marcado pela sua mítica italiana, por conta dos imigrantes que se instalaram ali e se tornaram maioria no bairro no início do século XX.
O documentário de Rubens Crispim Jr. faz um retrato do bairro no presente, com sua efervescência cultural, abrigando pessoas de diversas regiões do Brasil. Das festas juninas à tradicional Festa de Nossa Senhora Achiropita, que completa 100 anos em agosto de 2026, o longa mostra as manifestações artísticas e sociais do bairro, que também abriga a escola de samba Vai-Vai e o Teatro Oficina, entre outros marcos.
O filme começa com uma polêmica. Em 2022, durante as obras para a abertura de uma linha de metrô, foram encontrados vestígios materiais da existência do primeiro quilombo urbano reconhecido na história do estado de São Paulo, o Quilombo Saracura. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-SP), quando autorizou a concessão da área, absteve-se dos estudos arqueológicos, atendendo a uma requisição da empreiteira, colocando em risco a preservação dos itens históricos.
A partir desse imbróglio, a comunidade se uniu para a preservação dessa parte de sua história. O bairro, mesmo tombado, é constante vítima de obras urbanas que ameaçam sua integridade. O documentário, a partir dessa discussão, investiga o Bixiga e sua história. Rico em imagens do bairro e depoimentos, o filme não deixa de ter uma estética de vídeo institucional, apesar de suas intenções nobres. De qualquer forma, é um registro sincero de uma luta justa de uma região sempre ameaçada pela gentrificação – um processo em inegável andamento por ali.
