18/07/2026
Suspense

Drop: Ameaça Anônima

Violet é uma jovem viúva que tenta refazer sua vida com o filho pequeno numa nova cidade. Há anos sem namorar, ela decide finalmente jantar com o belo rapaz que conheceu num aplicativo. Mas, durante o encontro, recebe diversas mensagens anônimas, obrigando-a a cumprir uma série de tarefas para evitar que seu filho seja morto. Nos cinemas.

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Da mesma forma que a tecnologia é uma segurança, é também uma ameaça. Que o diga Violet (Meghann Fahy), protagonista de Drop: Ameaça Anônima, um suspense tenso, engenhoso e muito bem orquestrado pelo diretor Christopher Landon, que já mostrara talento para um estratagema bem parecido no terror A Morte Te Dá Parabéns. Esse é um filme que sabe exatamente o seu tamanho: um belo combo de junk food cinematográfica feita com competência e brio. 

Violet é uma jovem viúva, mãe de um garoto adorável, Toby (Jacob Robinson). Depois de viver um casamento marcado por abusos e violência, ela conseguiu se estabelecer em outra cidade, e trabalha, exatamente, com apoio a mulheres que vivem essa situação. Depois de muito tempo devotada apenas ao filho, ela marca um encontro com um rapaz que conheceu por aplicativo num restaurante elegante. Em dúvida se vai, é animada por sua irmã, que tomará conta do menino. 

O encontro não poderia ser mais legal: o lugar é exuberante, no topo de um edifício, a comida deve ser boa, e o pretendente é bonito, gentil e educado. Tudo iria muito bem, se ela não começasse a receber memes aleatórios no celular via um aplicativo em que pessoas trocam mensagens com desconhecidos. No começo, são coisas tolas. Ela poderia desligar o app? Talvez pudesse, mas aí não teria filme. 

Depois que o rapaz, Henry (Brandon Sklenar), chega, as mensagens se tornam ameaçadoras, ordenando que ela cumpra algumas tarefas senão seu filho será assassinado. Violet olha nas câmeras de sua casa e vê um desconhecido mascarado no interior. Para mandar a mensagem, é preciso estar a, no máximo, 15 m de distância, o que confina o algoz também ao espaço do restaurante, tornando-se uma paranoia na qual qualquer pessoa com um celular na mão pode ser o vilão. E ela também não pode mencionar nada a Henry ou mandar a polícia para sua casa, já que isso será a sentença de morte do menino. 

E aí começa o jogo de sobrevivência dela, no qual deve manter uma calma aparente para que as coisas funcionem. Não é muito diferente da vida real, na qual mulheres em situações de risco, muitas vezes, são obrigadas a fingir que está tudo bem para não serem mortas. Não se deve dizer mais pois o filme é repleto de reviravoltas e surpresas. 

O que importa é que Landon, ao trabalhar com um roteiro de Jillian Jacobs e Chris Roach, seja capaz de manter a aflição o tempo todo, especialmente pela interpretação afiada da dupla central. Mas não se engane, o filme é de Fahy, que agarra a personagem com gosto e sagacidade, transformando-a numa heroína involuntária. O desenho de produção, como o imenso restaurante cercado de vidro no topo de um arranha-céu, é impressionante, especialmente quando descobrimos que é tudo feito em estúdio. 

Os coadjuvantes funcionam mais como pistas falsas dentro da perseguição de Violet do que personagens mesmo. E isso pouco importa. A diversão está na perseguição virtual que impõe tarefas à protagonista. A maneira como o filme mostra as mensagens é bem criativa. O diretor não se vale de textos numa fonte padrão escritos num canto da tela. As conversas aparecem em letras garrafais de forma bastante inventiva. Há várias incongruências ao longo do filme, quando se pensa nele em retrospecto, especialmente, na reta final, mas isso pouco importa - quando chega nessa parte, Drop: Ameaça Anônima já conquistou corações e mentes.   

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