20/07/2026
Documentário

Não Sou Eu

Diretor de filmes como "Annette" e "Holy Motors", Leos Carax faz aqui uma cinebiogafia inusitada, combinando impressionismo e ensaísmo para contar de forma pouco peculiar sua trajetória.

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Cineasta destruidor de padrões, Leos Carax não faria, obviamente, uma cinebiografia conservadora. Não Sou Eu não bem é uma investigação sobre sua vida ou sua arte, é um mergulho em sua mente narrado num fluxo de seus pensamentos. Transitando entre imagens delirantes e outras sensoriais, ele resgata sua trajetória e como o cinema está nela. 

Nascido Alex Christophe Dupont, em 1960, nos arredores de Paris, é filho de uma estadunidense com um francês, e estreou no cinema fazendo curtas em 1980, e em sua filmografia tem longas como Os Amantes da Ponte Neuf e Annette. Mas nada disso está presente nessa colagem impressionista com imagens de clássicos, filmes seus e gravações de baixa qualidade, entrecortada com grafismos e letreiros na tela. 

Com forte e clara influência de Jean-Luc Godard, Carax tenta implodir o gênero da cineautobiografia como tal, indo do político ao pessoal, passando pelo experimental e o ensaístico. Com 41 minutos, o média flerta com a maneira pós-moderna do mestre de fazer cinema, de narrar, mas nunca chega a incendiar.

Concebido como parte de uma exposição sobre Carax no Centro Pompidou, o filme se torna uma meditação do próprio cineasta sobre sua vida e seu trabalho, uma busca pela autodescoberta. Ao girar em torno de si mesmo, ele, muitas vezes, abre mão do mundo ao redor, e se conforta com o conformismo. Godard, e a comparação é inevitável já que Carax obriga a ser feita, foi muito mais longe com seu último longa Imagem e Palavra que de confortável e conformista não tinha nada – muito pelo contrário. Sedutor imageticamente, Não Sou Eu é um filme mais de meditações do que provocações – algo mais presente nas ficções do diretor.

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