19/07/2026
Ação

O Contador 2

Christian Wolff, o contador que trabalha para esquemas de lavagem de dinheiro, está de volta e com uma missão particular. Com a ajuda de seu irmão, busca localizar uma criança que desapareceu há anos. Nos cinemas.

post-ex_7

Em O Contador 2, o diretor Gavin O'Connor e o protagonista Ben Affleck continuam com a mesma máxima do filme original, de 2016: tiro, porrada e contas. Mas agora, ao quadrado. O que, no fundo, não muda muito nessa tentativa de franquia de ação na qual o ator interpreta Christian Wolff, o personagem com a profissão do título. 

Neurodivergente, ele foi criado pelo pai militar que o “treinou” para lidar com seu Transtorno do Espectro Autista, expondo-o a sons altos e luzes piscantes. O autismo se tornou uma espécie de “poder” que ele usa para se concentrar e fazer cálculos absurdos rapidamente. Assim, tornou-se o contador favorito de foras-da-lei que pretendem lavar seu dinheiro. 

Agora, o Contador tem uma nova missão, por assim dizer. A narrativa é meio confusa por um tempo, e totalmente descartável o tempo todo, servindo apenas como pretexto para a distribuição de sopapos e balas. Uma das tramas (aparentemente tem mais de uma, que se conectarão) envolve o desaparecimento de uma imigrante salvadorenha depois de um acidente, cujo filho, agora um pré-adolescente, foi levado para um campo de concentração para crianças imigrantes. 

O roteiro de Bill Dubuque parece querer fincar um pé na realidade política, mas a ideia do estadunidense salvador e de um sul global onde tudo de ruim acontece exagera nos estereótipos. Não que o público-alvo do filme esteja preocupado com isso, afinal, o longa dá o que promete com ação o tempo todo, sem deixar tempo para pensar. 

Os vilões são genéricos e nem sempre ficam claras suas motivações. Há uma moça loira chamada Anaïs (Daniella Pineda), que é uma matadora implacável, seu chefe sempre escondido, e umas pessoas que requisitam seus serviços; e um outro matador (Grant Harvey), que trabalha para esses vilões. 

Uma série de coadjuvantes estão de volta, como Ray King, interpretado por J.K. Simmons, agora encontrado num bingo onde, supostamente, curte sua semi-aposentadoria; Marybeth Medina (Cynthia Addai-Robinson), agente do Tesouro dos EUA; Justine (Allison Robertson), a garota autista que mora, com outros jovens neurodivergentes, numa academia de gênios, que é uma hacker sem precedentes; e, por fim, Braxton, irmão de Chris, interpretado por Jon Bernthal.

Merecidamente, Bernthal e seu personagem ganham mais tempo em cena. Ele é o contraponto com humor do personagem de Affleck, que é sério o tempo todo, sem jamais esboçar um sorriso. O ator também não precisa se esforçar muito para mostrar que leva mais jeito para isso do que Affleck. 

post