19/07/2026

Vencer ou Morrer

No século XVIII, em plena Revolução Francesa, um ex-oficial da marinha, François de Charette, lidera um grupo de camponeses que se opõem às mudanças e defendem a monarquia e a igreja.

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Como hoje se sabe, a Revolução Francesa foi a mera transferência de poder da nobreza parasitária à burguesia ascendente. Na época em que se passa a história de Vencer ou Morrer, no final do século XVIII, a mudança, no entanto, ainda era embalada por ideias humanistas e o slogan da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Os personagens do filme dirigido por Paul Mignot e Vincent Mottez, porém, lutam pelo direito de serem explorados pelos nobres e a igreja.

Claro que isso não vem dito dessa forma tão escancarada, mas o movimento contrarrevolucionário aqui retratado é basicamente isso. O filme é produzido pelo Puy du Fou Films, a mesma empresa do parque temático que pertence a Philippe de Villiers, político conservador de ultradireita e monarquista – o que já diz tudo sobre o longa, cujo roteiro é assinado por Mottez.

O cinema de extrema-direita de Villiers é formalmente ruim, um tipo de narrativa de época empoeirada, seja pelo seu conteúdo ou pela forma, embora, dentro da ideologia dele, faça sentido um filme formalmente conservador, é claro. 

O protagonista é uma figura real, François de Charette (Hugo Becker), membro da marinha francesa que lidera a resistência à Revolução na Vendéia. Esse movimento é controverso até entre historiadores, que divergem sobre as origens, o desenvolvimento e as forças envolvidas nessa guerra civil. O filme, no entanto, assume o ponto de vista dos monarquistas católicos, e narra sua história a partir dele sem qualquer espaço para nuances ou dúvidas. Já Charette é tema de um show no parque Puy du Fou.

Aspirante a épico, Vencer ou Morrer é uma sucessão de pequenos discursos, voz em off e paisagens bonitas do interior da França, na tentativa de convencer de que era melhor com os reis ao invés desses revolucionários sanguinários. Seus 90 e poucos minutos parecem infindáveis horas com toda sua pompa cafona e discurso retrógrado. 

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