03/09/2026
Fantasia

Como Treinar o seu Dragão

Soluço é um adolescente viking que não se encaixa nas expectativas de seu pai, líder do grupo que vive numa ilha constantemente atacada por dragões. Enquanto tenta tornar-se o caçador que todos esperam, acaba fazendo amizade com um pequeno dragão e descobre que não são, exatamente, criaturas malignas. Nos cinemas.

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É irônico que o mais interessante na versão live-action de Como Treinar o seu dragão seja exatamente o dragão animado em computação gráfica. Dirigido por Dean DeBois (codiretor do original de 2010 ao lado de Chris Sanders), o longa segue de perto seu antecessor sem arriscar-se, seja no visual ou na trama. 

Ao contrário da Disney, que não sabe muito bem se reinventa suas animações em live-action ou se faz as adaptações sem mudar nada, DeBois e a produtora Dreamworks não têm dúvida de seguir o caminho mais fácil e garantido para não decepcionar o público – sejam as crianças introduzidas a esse universo, ou os adultos nostálgicos que viram a trilogia original no cinema. 

Os humanos são quase coadjuvantes aqui, afinal, especialmente na segunda metade, os dragões feitos em animação dominam as imagens. A sorte é que o filme tem uma narrativa bastante estruturada, adaptada do romance homônimo de Cressida Cowell, sem deixar de dar uma piscadela a ET - O Extraterrestre, quando o garoto viking excluído por todos faz amizade com um dragão-criança, que ganha o nome de Banguela. 

Novamente, Soluço (Mason Thames), um adolescente de 15 anos não se encaixa nos padrões que o vilarejo viking onde vive com o pai, Stoick (Gerard Butler, muito bem no personagem), espera dele. Filho do líder, ele deve ser como ele, um caçador de dragões, que ficou ainda mais obcecado pelas criaturas após sua mulher morrer num ataque deles. 

Thames não é exatamente igual ao Soluço da animação original, mas isso pouco importa, pois ele tem a presença cênica que a personagem pede, a doçura e determinação mesmo sendo o elemento estranho dentro de sua própria sociedade. Além disso, é apaixonado por Astrid (Nico Parker), a menina que se destaca nas aulas, onde aprendem sobre os sete tipos de dragões, incluindo o Fúria da Noite, uma espécie rara, nunca vista e tida como muito perigosa. 

A evolução das técnicas digitais permitiram que Banguela, ele mesmo um Fúria da Noite, seja impressionante em sua verossimilhança. Feito de pixels e sentimentos, o animal parece de verdade, menos cômico do que no original, mas ainda cativante por um comportamento que parece combinar algo de cães e gatos. 

O sucesso deste primeiro filme deve garantir, novamente, uma trilogia. DeBlois tendo feito um bom trabalhando, conquistando corações e bolsos, deverá ganhar mais espaço para arriscar-se em continuações, e o que importa é que a base aqui foi bem construída. 

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