18/07/2026
Documentário

Eu Fui a Secretária de Hitler

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Há pouco que ainda não se saiba sobre a história da Alemanha nazista e de Adolf Hitler. Muitos documentários exibiram imagens dos campos de concentração, vasculharam a vida dos sobreviventes ou analisaram os meios de propaganda e os filmes a serviço do Reich. Eu Fui a Secretária de Hitler, de André Heller e Othmar Schmiderer, reconhece o que já foi feito e dá uma contribuição de grande valor para que possamos entender o que levou um povo a apoiar, de forma quase unânime, um regime político racista.

O depoimento de Traudl Junge, na época com 81 anos, que trabalhou para Hitler e a quem o Führer ditou o testamento pouco antes de seu suicídio, é uma das peças que faltava para a melhor compreensão desse mistério. A ex-secretária, que morreu pouco depois do filme ser concluído, falou pela primeira vez diante de uma câmera e revelou a relação filial mantida com o líder alemão. A figura forte e protetora do führer cativou, logo de início, a jovem do interior cujo pai abandonou a família. Isso também iludiu milhões de alemães, empobrecidos com a queda da Bolsa, em 1929, e mergulhados numa crise com 6 milhões de desempregados.

O filme usa, durante seus 95 minutos de duração, apenas os depoimentos de Traudl Junge e, como única alternativa, confronta a entrevistada com sua própria imagem exibida no televisor, a partir da qual tece algumas considerações antes esquecidas. Sua memória é realmente impressionante.

Entre as peculiaridade dos relatos está a relação do Führer com a cadela Blondie que, nos últimos dias da guerra, foi envenenada pelo próprio dono para atestar a eficácia das cápsulas de cianureto que Hitler utilizaria para se suicidar. Essas pequenas histórias banais dizem muito sobre o líder nazista que nunca se referiu ao amor, que não entendia como era possível alguém trocar a mulher por outra mais feia ou que não teve filhos por acreditar que "os filhos de gênio, às vezes, são uns cretinos".

O melhor é deixado para o final, quando Junge relembra a degeneração psicológica do Führer, refugiado em seu bunker, nos últimos dias de vida. As crises de depressão se misturam ao pânico da secretária frente ao iminente suicídio de seu protetor. Ela, como uma parte do povo alemão, ainda é perseguida pela culpa.
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