É a velha história: um veterano desanimado precisa se unir a um novato cheio de energia mas experiente para cumprir um objetivo, seja prender o criminoso, dar um golpe ou, no caso de F1, ganhar o campeonato de Fórmula 1 e impedir que uma escuderia vá à falência. Dirigido por Joseph Kosinski, que ganhou fama com Top Gun: Maverick, o filme é puro barulho e correria, sem qualquer espaço para o drama humano, embora pense que investiu nisso.
A empolgação do longa vem do barulho dos motores, das manobras perigosas, das curvas malfadadas e do tempo gasto no pit stop para a troca de pneus. Há também alguns acidentes que, supostamente, trariam algum drama mas não são meros feitos técnicos. Há mais alma em uma cena de Ferrari, de Michael Mann, do que aqui.
Brad Pitt é Sonny Hayes, um piloto promissor na juventude que abandonou na Fórmula 1 depois de um trágico acidente. Quando o filme começa, ele está participando das 500 Milhas de Daytona, vencendo o título para sua equipe. Vivendo numa van velha, ele não tem interesse em luxos, mesmo com uma oferta tentadora de um antigo colega de corridas, Ruben (Javier Bardem), dono da escuderia APXGP Formula One, que está prestes a falir.
A ideia é juntar os talentos de Sonny e do jovem Josh Pearce (Damson Idris), novato promissor, mas arrogante e mais interessado em likes e parcerias do que correr. Obviamente, os dois batem de frente por conta de seus modus operandi diferentes. Mas o filme insiste, esse é um esporte de equipe, e precisarão superar as divergências para salvar o emprego de todos na equipe, que inclui Kate McKenna (Kerry Condon), diretora técnica do time, a primeira mulher a ocupar essa posição na Fórmula 1.
O roteiro escrito pelo diretor e Ehren Kruger se estabelece a partir de corridas em diversos autódromos do mundo e, entre uma e outra, o drama desses personagens rasos e previsíveis. Há outros elementos mal resolvidos, como o envolvimento amoroso entre Sonny e Kate, ou ainda uma subtrama risível de espionagem industrial que é totalmente descartável.
O que funcionou em Top Gun: Maverick, ou mesmo em Ford vs Ferrari, outro filme com temática parecida, eram exatamente os personagens, cujas vidas interessavam além da velocidade. Os personagens, ao contrário daqui, eram de carne e osso, viviam seus dramas, que incluíam as disputas entre dois homens também. Aqui nada disso se materializa. Além disso, o filme parece encarar todo o público como especialista em corridas, e assume que compreendamos a importância de certas coisas ou das dinâmicas na competição. Quando todos começam a falar desesperadamente em, por exemplo, pneus macios, devemos assumir que é algo importante, pois isso não foi explicado.
Há coisas jogadas sem o menor sentido – como as crises físicas do personagem de Pitt na reta final –, ou outras que parecem simplesmente ridículas – como todo mundo usando fones com microfones numa sala de reunião. Na vida real, os membros de uma equipe de Fórmula 1 fazem isso? Pouco importa, isso é só mais uma das bobagens de um filme que, praticamente, se não queima já na largada, certamente está longe de subir ao pódio.
