O subtítulo Recomeço, neste novo filme da franquia dos dinossauros, deixa bem claras as intenções do longa: resgatar a série que beirava a extinção com os últimos três filmes – lançados entre 2015 e 2022 –, de qualidade bastante duvidosa e direção bem equivocada. Aqui, a única coisa que permanece são os dinos, mas até eles são renovados.
O diretor Gareth Edwards traz um novo fôlego que era mais do que necessário, contando com novos personagens e um elenco de maior carisma do que Bryce Dallas Howard e Chris Pratt. Scarlett Johansson, Jonathan Bailey, Mahershala Ali e Manuel Garcia-Rulfo injetam uma nova dinâmica num filme muito mais próximo do original de 1993 do que qualquer outra das cinco sequências.
O sétimo longa é roteirizado por David Koepp, o mesmo roteirista dos dois primeiros longas que encontra no passado a razão de ser do filme - que, no fundo, soa como uma combinação entre Indiana Jones e Tomb Raider com dinossauros. A personagem de Johansson, Zora, é uma caçadora de aventuras a quem nada parece impossível, desde que o pagamento seja alto. Já Bailey é o paleontólogo Henry, apaixonado por dinossauros.
Os dinos, depois de dominar o mundo novamente, agora agonizam nas grandes cidades e, aos poucos, deixam de existir mais uma vez no mundo civilizado. Ainda assim, uma considerável parte deles mora numa ilha isolada onde o acesso é proibido. Um executivo da indústria farmacêutica, Martin Krebs (Rupert Friend), procura Zora com uma proposta irrecusável. Ela deve montar uma equipe para ir à ilha dos dinossauros, onde irá colher material de três espécies distintas que ainda vivem lá, que será usado para a produção de um remédio que acabará com quase todas as doenças coronárias. Ah, a generosidade da indústria farmacêutica.
O pequeno preâmbulo introdutório é apenas o pretexto para a viagem à ilha. Mas, antes disso, Jurassic World: Recomeço toma um pequeno desvio. Num pequeno barco a motor está uma família: o patriarca Ruben (Garcia-Rulfo), sua filha que vai para a faculdade, Teresa (Luna Blaise), o namorado dela, Xavier (David Iacono), e a caçula Isabella (Audrina Miranda). Numa cena digna de tubarão, com tensão crescente, a embarcação é atacada por dinossauros do mar, o que deixa os quatro à deriva, sendo resgatados pelo barco de Zora, que é comandado por Kincaid (Mahershala Ali).
A partir da introdução dos personagens, Edwards é capaz de criar cenas de aventura e perseguição com cenas de tensão e correria. Algumas delas são claras homenagens ao primeiro filme, mas os animais são totalmente novos: mutações resultado de experiências genéticas promovidas na ilha em busca de dinossauros diferentes para animar o público dos parques, cada vez mais entediado com a mesmice, tal qual o público dos três últimos longas da série.
