18/07/2026
Comédia Drama

Apenas alguns dias

Arthur é um jornalista especializado em música que, depois de uma noite de farra, acaba sendo enviado para a cobrir a violência contra um abrigo de imigrantes em Paris. Impressionado com a realidade dessas pessoas, ele se solidariza com um homem.

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É preciso sair da zona de conforto para se dar conta da invisibilidade que nos cerca. Essa é a ideia central do drama Apenas Alguns Dias, da cineasta francesa Julie Navarro. O protagonista do filme é Arthur (Benjamin Biolay), um jornalista especializado em música que, depois de uma noitada, é mandado para outra editoria do jornal, para a qual irá cobrir os acontecimentos nos arredores de um centro de refugiados em Paris. 

Ele só percebe o que foi até ali sua posição de homem branco privilegiado quando é agredido pela polícia enquanto faz sua cobertura. Assim, uma certa consciência social, sobre a questão dos refugiados, é despertada nele. Arthur leva o afegão Daoud (Amrullah Safi) para sua a casa, e o relacionamento entre os dois será benéfico a ambos, que têm muito a aprender um com outro. 

Navarro, que assina o roteiro com Marc Salber (autor do romance no qual o filme é baseado), segue mais ou menos a cartilha de lomgas sobre o despertar político ou social de uma figura alienada, no caso Arthur.  Bad boy do jornalismo, sempre com sua jaqueta de couro, é tomado pela solidariedade, ajudando Daoud e outros refugiados mesmo quando sua filha e amigos estranham suas atitudes. 

Mesmo tão interessado na conversão de Arthur, o relato acaba perdendo oportunidades, como explorar as descobertas culturais que ele e Daoud fazem em relação à cultura um do outro – afinal, a alteridade se manifesta na cultura. Outra figura que merecia maior aprofundamento é a voluntária Mathilde (Camille Cottin), uma mulher que ajuda os refugiados e tem uma consciência maior do que o protagonista em relação a esses problemas. A seu discurso progressista, por mais bem-vindo que seja, faltam densidade e complexidade. 

Apenas Alguns Dias é um filme bem-intencionado que padece um pouco de sua falta de espírito crítico em relação a seu protagonista. Mais do que questionar políticas e políticos, o filme está interessado na transformação individual de seu personagem, como se converter um alienado de cada vez fosseresolver o problema da imigração. Não, não vai, mas Biolay e Safi estão bem o suficiente para transformar os cento e poucos minutos do longa em algo assistível. 

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