Desde 1973, entra ano, sai ano, sempre é lançado um filme de possessão espiritual que, invariavelmente, imita (mesmo que involuntariamente) O Exorcista, o clássico de William Friedkin, que estabeleceu o topo narrativo desse subgênero. Desde então, mesmo que muitos tenham tentando, ninguém saiu da sombra desse longa. O Ritual, dirigido por David Midell, não é exceção.
Embora tente trazer alguma seriedade com a presença de Al Pacino e o carimbo “Baseado em Fatos Reais”, o longa não causa medo, nem apreensão. A bem da verdade, talvez não seja o objetivo do diretor fazer um filme de terror – embora o marketing o venda assim. Quando muito, é um drama sobrenatural, baseado no famoso caso de possessão e exorcismo de Emma Schmidt – que também ficou conhecida pelo pseudônimo Anna Ecklund, usado para proteger sua identidade real, quando o caso aconteceu em 1928.
Mesmo antes de ser considerada oficialmente possuída, Emma, uma mulher de meia-idade, já demostrava um comportamento errático, quando foi levada às autoridades eclesiásticas. Seu exorcismo durou quatro meses e, na época, foi altamente documentado, e isso serve de base ao roteiro creditado ao diretor e Enrico Natale.
Emma é interpretada por Abigail Cowen, uma atriz bem mais jovem do que a figura real, e começa o filme buscando ajuda na paróquia do padre Joseph Steiger (Stevens), onde ela fica sob o cuidado de freiras. Todos pensam que o problema é mais psicológico do que uma possessão real, exceto o frade Theophilus Riesinger (Pacino), que está visitando a paróquia e sugere que a moça seja a presa a uma cama, mas todos acham exagero.
Seja lá o que possuiu a jovem, é uma criatura maligna que aterroriza as freiras, a ponto da Madre Superiora (Patricia Heaton) ordenar que a moça seja levada ao porão da instituição, na tentativa de causar menos problemas a todos. Então, nada de novo, cinematograficamente, acontece: vômitos, móveis se mexendo, pessoas sendo jogadas contra a parede, a possuída falando com vozes que não são a sua, enfim, o pacote completo de filme de exorcismo.
Novidade mesmo são os estranhos movimentos de câmera que Midell insiste em usar. Zooms que se fecham no rosto dos personagens e lembram aqueles típicos da série cômica The Office. A câmera que não para de chacoalhar, também, supostamente deveria trazer alguma seriedade, algo de documental, mas é só irritante mesmo.
