Sendo o futebol uma paixão nacional, a revista Placar é uma espécie de diário de recordações desse amor. Criada em 1970, ao longo de mais de seus 50 anos, a publicação não só falou do belo jogo, mas de outros esportes e enveredou, não poucas vezes, pelos meandros da política brasileira – em especial numa resistência e manifestações contra a ditadura brasileira.
Placar: A Revista Militante, dirigido pelo fotógrafo Ricardo Corrêa e o jornalista Sérgio Xavier Filho, é um documentário que aborda essa questão. É muito interessante como o filme descortina o posicionamento político, em especial com depoimentos do jornalista Juca Kfouri, que começou a trabalhar na revista em 1974, como chefe de reportagem.
O filme sabe como oferecer dados e informações, mas têm uma dificuldade grande em converter isso na forma documental. Não há dúvida de que existam histórias importantes contadas aqui, páginas marcantes do jornalismo brasileiro, como o envolvimento na campanha das Diretas Já (incluindo a histórica foto de Pelé com a camiseta da campanha feita no set do filme Os Trombadinhas, no Rio de Janeiro) e a Máfia da Loteria Esportiva.
Mas, enquanto documentário, o filme não é coeso, seus segmentos temáticos não conversam, e os mais de 100 minutos são mais longos do que o material parece comportar. A falta de foco na construção da narrativa fílmica torna-o redundante e um tanto cansativo - é de se pensar se um curta concentrado em um único tema não seria mais eficiente como registro da importância da revista.
Talvez pelo fato de os diretores serem tão próximos da Placar não tenha permitido esse distanciamento que poderia tornar o filme mais eficiente em seus propósitos – ambos são ex-editores da publicação. O apego ao tema e ao material podem não ter ajudado. Corrêa narra o filme numa forma pessoal que nem sempre soa como a melhor escolha possível. Há ainda problemas de ordem técnica, como na captação do som.
