19/07/2026
Terror

Faça Ela Voltar

Depois da morte do pais, os irmãos Piper e Andy são colocados num lar adotivo, mas a nova mãe deles tem segredos e crenças que colocam a vida deles em risco.

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Sally Hawkins e água, sempre uma mistura com resultados incomum. Foi assim em A Forma da Água, de Guillermo del Toro e, agora, novamente, no terror Faça Ela Voltar, dos irmãos australianos Danny Philippou e Michael Philippou, mesma dupla do terror Fale Comigo, de 2022. A atriz interpreta Laura, uma mulher que adota dois irmãos após a morte do pai deles, mas por trás do verniz de generosidade esconde-se algo mais perverso.

Como tantos filmes de terror modernos ou antigos, o luto e o trauma são duas forças que moldam as personagens e a narrativa. Embora não reinventem a roda, os gêmeos Philippou buscam uma abordagem sincera e honesta dos temas em seu filme. Laura perdeu sua filha biológica, e busca maneiras de a trazer de volta – daí o título –, mas, claro, não é nada simples. 

Nesse processo, ela recebe em sua casa os adolescentes Piper (Sora Wong) e Andy (Billy Barratt). Ela enxerga apenas vultos, e sofre bullying de outras crianças por conta de sua deficiência. Seu irmão é seu apoio físico e emocional, criando uma relação de dependência que impede que sejam colocados em famílias adotivas distintas. Na casa de Laura, já há Oliver (Jonah Wren Phillips), um garoto de comportamento estranho que se recusa a falar. 

A simpática e extrovertida Laura (uma piscadela para a famosa personagem Poppy, que ela fez no filme de Mike Leigh, Simplesmente Feliz) começa a dar sinais de um comportamento estranho quando, no funeral do pai, ela força Andy a dar um beijo no rosto paterno, dizendo que “faz parte da tradição”. Essa é só o primeiro alerta vermelho de que as coisas não irão bem no novo lar adotivo. 

Tudo é um tanto nebuloso e até confuso em Faça Ela Voltar, mas os Philippou têm a estranha capacidade de transformar em quase novos os elementos já surrados do gênero. Foi assim em Fale Comigo, e aqui, novamente. Tudo funciona apoiado nas excelentes performances de Wong, Barratt e Hawkins, em eternos embates entre o bem o mal, forças vivas e sobrenaturais. O trauma e o luto são experiências que podem transitar entre o pessoal e o coletivo, mas aqui funcionam como elementos que reduzem a capacidade de pensar direito, o que pode levar personagens a fazer coisas inexplicáveis e incompreensíveis. 

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