Uma mistura de comédia do Leandro Hassum com a novela A Viagem, O Rei da Feira é um filme que prima pelo humor escatológico envolvendo fezes e afins, além de espíritos. É estranho que o personagem de Hassum, Monarca, seja conhecido como rei da feira, se nem feirante ele é, sendo apenas um policial que faz segurança numa feira livre nos dias de folga. Mas, tanto faz.
Escrita por Gustavo Calenzani, e dirigida por Felipe Joffily, essa comédia se alia ao suspense para sustentar seus quase seus 90 minutos. Se Hassum está sempre no mesmo tom em todos os filmes, cabe aos coadjuvantes e às coadjuvantes trazer algo de novo. Pedro Wagner rouba cena como um espírito de um feirante assassinado que assombra Monarca até descobrir quem o matou. E Talita Younan e Renata Gaspar, como uma perita e a falecida mãe de Monarca, respectivamente, também se sobressaem.
Monarca é um médium que, desde pequeno vê espíritos. Sua mãe, pouco antes de ser presa, ensinou-lhe que cobrir o umbigo faz com que os fantasmas vão embora. Isso sempre funcionou, exceto com seu amigo Bode (Wagner), um feirante malandro morto em circunstâncias estranhas depois de ganhar uma bolada no jogo do bicho. Não fica muito claro por que, ao contrário dos outros, ele não some quando Monarca cobre o umbigo, mas, enfim, juntos irão desvendar o mistério.
As personagens estereotipadas são todas suspeitas. Da amante de Bode ao filho dela, que pode ser filho do falecido, passando por um feirante que desconfia que sua mulher o traia com o feirante, e também o bicheiro. Personagens interpretados com empenho pelo elenco, mas sem muita função se não ser suspeitos e suspeitas.
De resto, é uma comédia ligeira com alguns acertos em seu timing, mas com uma narrativa bem mandriona sem muita força para desenvolver melhor as situações, apoiando-se apenas no inusitado da situação sem qualquer tirada, minimamente, sagaz. É uma opção de um tipo comédia, enfim, de fácil assimilação e esquecimento ainda mais rápido.
